Relatório revela efeitos do uso excessivo da internet na saúde mental e relações sociais da população
Um estudo recente divulgado pela Kaspersky, empresa global de cibersegurança, revelou um dado alarmante sobre o comportamento digital dos brasileiros: em média, cada pessoa no país passa 9,2 horas conectada à internet por dia. Esse tempo, equivalente a quase 40% de um dia inteiro, inclui uso para trabalho, estudo e entretenimento — e vem gerando crescente preocupação com os impactos da hiperconexão na saúde mental e no bem-estar social.
Embora a conectividade faça parte do cotidiano moderno, os dados da pesquisa revelam que os próprios brasileiros estão atentos aos malefícios do uso excessivo de tecnologia. Cerca de 65% dos entrevistados reconhecem que passam mais tempo online do que gostariam, e 72% afirmam já ter sentido efeitos negativos, como estresse, ansiedade, insônia e dificuldade de concentração. Além disso, 48% relataram que a hiperconexão impacta negativamente suas relações pessoais.
A pesquisa envolveu mais de 6 mil pessoas da América Latina — sendo 2 mil apenas do Brasil — e buscou entender não só os hábitos digitais da população, mas também como esses hábitos influenciam comportamentos, emoções e saúde mental.
O tempo online é, majoritariamente, consumido por redes sociais, serviços de mensagens e entretenimento via streaming. Plataformas como WhatsApp, Instagram, TikTok, YouTube e Netflix ocupam boa parte da rotina conectada dos usuários. De acordo com o levantamento, o uso contínuo desses serviços é impulsionado por fatores como a necessidade de estar sempre informado, manter contato com amigos e familiares e escapar da rotina ou do tédio.
Apesar do alto índice de tempo online, muitos brasileiros demonstram desejo de retomar o controle sobre seu tempo digital. Mais de 70% afirmaram já ter tentado reduzir o tempo de tela em algum momento, adotando estratégias como limitar notificações, estabelecer horários sem celular, desinstalar aplicativos e até aderir a dias inteiros de “detox digital”.
O relatório ainda alerta para a importância de medidas coletivas e individuais no enfrentamento da hiperconexão. Especialistas recomendam práticas como o uso consciente da tecnologia, pausas frequentes durante o dia, e o cultivo de momentos offline — inclusive em ambientes familiares, escolares e corporativos.
Embora a hiperconexão seja, em parte, uma consequência da digitalização de processos profissionais, educacionais e sociais, o estudo evidencia o paradoxo vivido pela sociedade contemporânea: ao mesmo tempo em que a internet amplia possibilidades e conecta pessoas, seu uso indiscriminado pode afetar diretamente a qualidade de vida.
O cenário brasileiro espelha uma realidade global: segundo dados de outras pesquisas recentes, a média mundial de tempo conectado também gira em torno de 7 a 9 horas por dia — colocando o Brasil entre os países mais hiperconectados do planeta.