Doença que vitimou Preta Gil tem incidência crescente entre os mais jovens; especialistas apontam fatores como alimentação, sedentarismo e diagnóstico tardio como principais vilões
O câncer colorretal, que levou à morte a cantora Preta Gil aos 49 anos, tem crescido de forma preocupante entre adultos com menos de 50 anos. Um estudo recente publicado por instituições internacionais de saúde — e repercutido por veículos como o G1, Veja e Alô Alô Bahia — revela um aumento significativo nos casos entre pessoas jovens, desafiando a percepção de que o câncer intestinal afeta majoritariamente os mais velhos.
De acordo com o levantamento, o número de diagnósticos em pessoas entre 20 e 49 anos dobrou nas últimas duas décadas em diversas partes do mundo. No Brasil, os dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam que, só em 2023, foram estimados mais de 45 mil novos casos de câncer colorretal, com cerca de 6 mil ocorrendo em adultos com menos de 50 anos.
A doença costuma ter evolução silenciosa, o que dificulta o diagnóstico precoce. Em muitos casos, os sintomas iniciais — como dor abdominal, alterações intestinais, sangue nas fezes e perda de peso — são confundidos com outros problemas gastrointestinais. Quando o tumor é identificado, muitas vezes já se encontra em estágio avançado, comprometendo as chances de cura.
Especialistas apontam que fatores como alimentação rica em carnes processadas, sedentarismo, consumo excessivo de álcool, tabagismo e obesidade estão diretamente ligados ao aumento de casos entre os mais jovens. Além disso, o estilo de vida contemporâneo, com longas horas sentadas e alto nível de estresse, também pode estar contribuindo.
A oncologista clínica e pesquisadora do Hospital Sírio-Libanês, Dra. Juliana Lopes, afirma que o caso de Preta Gil traz à tona a importância da conscientização: “Ela deu visibilidade a uma doença que muitas vezes é negligenciada entre os mais jovens. Infelizmente, o câncer não espera a idade certa. O rastreamento e o diagnóstico precoce são fundamentais”.
Hoje, o rastreio de rotina do câncer colorretal é recomendado a partir dos 45 anos, mas especialistas já discutem a necessidade de rever essa orientação. Em alguns países, como os Estados Unidos, a idade mínima para início da triagem já foi reduzida de 50 para 45 anos justamente por conta do aumento dos casos precoces.
A morte de Preta Gil, artista querida e de grande relevância cultural, trouxe comoção nacional, mas também serviu como alerta urgente. Sua luta pública contra a doença, marcada por sessões de quimioterapia, cirurgias e reflexões emocionantes nas redes sociais, abriu espaço para um debate necessário sobre prevenção, estilo de vida e acesso à saúde.