Deputada federal licenciada foi detida nesta terça-feira (29 de julho de 2025) em Roma, após ter seu paradeiro revelado por parlamentar italiano; ela responde a pena de 10 anos pela invasão ao CNJ.
A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP) foi presa nesta terça-feira, 29 de julho de 2025, em Roma, confirmaram o Ministério da Justiça italiano e a Polícia Federal do Brasil. O deputado italiano Angelo Bonelli localizou e forneceu às autoridades locais o endereço do apartamento onde Zambelli estava hospedada e comunicou ter “identificado a parlamentar” nas redes sociais.
A prisão ocorre em sequência à condenação da congressista pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que em maio a sentenciou a 10 anos de prisão em regime fechado, além de perdimento de mandato e pagamento de R$ 2 milhões em danos morais e coletivos, por sua participação na invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O hacker Walter Delgatti Neto, atuando a mando da parlamentar, foi condenado a mais de 8 anos de prisão pelo mesmo esquema.
Após a condenação, Zambelli deixou o Brasil em maio de 2025, cruzando para a Argentina antes de seguir para os Estados Unidos e, finalmente, à Itália, país do qual também possui cidadania. Em 5 de junho, seu nome foi incluído na lista vermelha da Interpol, com pedido formal de prisão preventiva feito pela Polícia Federal a partir de determinação do STF.
Fontes jurídicas explicam que a prisão na Itália só se fez possível após identificação formal e autorização da Justiça italiana, uma vez que a difusão vermelha da Interpol, por si só, não autoriza captura imediata sem anuência local. A extradição ao Brasil dependerá de trâmites judiciais entre os países — e poderá ser contestada por Zambelli, que pretende alegar seu direito de cidadania italiana e uso desse argumento para tentar cumprir eventual pena na Itália.
Além do processo pelos crimes de invasão informática, Zambelli já responde a outro processo no STF por porte ilegal de arma e perseguição a um jornalista em 2022, para o qual já há decisão favorável pela condenação, embora a conclusão ainda esteja pendente de análise final