Deputada permanece em penitenciária feminina de Roma enquanto Justiça italiana analisa pedido formal de extradição; decisão pode levar até dois anos devido à dupla cidadania e trâmites legais
A deputada Carla Zambelli (PL-SP), de 45 anos, permanece detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, após sua prisão em 29 de julho de 2025. Condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos de prisão por envolvimento na invasão hacker dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica, ela havia fugido do Brasil em maio e foi capturada em uma operação conjunta entre autoridades brasileiras, italianas e a Interpol.
Após sua prisão, Zambelli passou por uma audiência de custódia em 1º de agosto, na qual a Justiça italiana decidiu mantê-la presa. Uma nova audiência está marcada para 13 de agosto, onde será avaliado se ela continuará em regime fechado durante a análise do pedido de extradição.
Extradição e obstáculos legais
O governo brasileiro formalizou o pedido de extradição em 12 de junho, com base no tratado bilateral assinado entre Brasil e Itália em 1989. Contudo, o caso é complexo devido à dupla cidadania de Zambelli, que pode invocar direitos previstos pela legislação italiana para evitar ou postergar sua entrega ao Brasil.
Advogados e especialistas estimam que o processo de extradição pode levar de 18 meses a dois anos, devido às etapas obrigatórias de tradução de documentos jurídicos e à análise técnica sobre a equivalência dos crimes pelos quais ela foi condenada no Brasil com o Código Penal italiano. Caso a Justiça italiana valide a pena, Zambelli poderá ainda pleitear cumprir parte da condenação em território italiano, hipótese já manifestada por sua defesa.
Contexto e repercussões
O caso tem gerado forte repercussão política e diplomática. Além da condenação pelo ataque hacker de 2023, no qual documentos falsos foram inseridos nos sistemas do CNJ — incluindo um falso mandado contra o ministro Alexandre de Moraes —, Zambelli também responde por porte ilegal de arma relacionado a um episódio em 2022, quando perseguiu um eleitor armado nas ruas de São Paulo.
Sua prisão na Itália é vista como um dos episódios mais dramáticos de sua trajetória política, envolvendo debates sobre cooperação internacional, soberania judicial e a relação entre Brasil e Itália no campo jurídico. Até a definição da extradição, Zambelli seguirá sob custódia em Roma, enquanto as autoridades italianas avaliam os próximos passos do processo.