google.com, pub-6509141204411517, DIRECT, f08c47fec0942fa0

Revista Nova Imagem - Portal de Notícias

Nos acompanhe pelas redes sociais

Carro brasileiro retoma sucesso na Argentina: como a economia local impulsiona as exportações

Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

O setor automobilístico brasileiro está experimentando uma retomada significativa de vendas na Argentina, alavancada por mudanças econômicas e políticas desenvolvidas no país vizinho. Mesmo com as diferenças políticas entre os governos dos dois países, as montadoras brasileiras encontraram um ambiente favorável para expandir sua presença no mercado argentino, o que ajudou a compensar a queda nas exportações para o México.

Em 2024, as exportações de veículos brasileiros para a Argentina superaram 166 mil unidades, um aumento de 50% em relação ao ano anterior, representando um faturamento de US$ 2,58 bilhões. Esse crescimento marca o maior volume de vendas desde 2018, quando o valor total das exportações foi de US$ 4,61 bilhões. Embora os números ainda não alcancem os patamares dos anos anteriores — como em 2017, quando a Argentina importou três vezes mais carros brasileiros —, o resultado foi considerado uma boa surpresa para as montadas.

Esse crescimento se reflete na mudança do destino dos veículos brasileiros, com a Argentina retomando sua posição como principal parceiro comercial, superando o México. Em 2024, 40% dos carros exportados pelo Brasil foram para a Argentina, enquanto a participação do México caiu para 24% devido a uma redução de 25% nas suas compras.

Esse novo cenário é consequência de transformações significativas na economia e na indústria automotiva da Argentina. A reversão do déficit comercial do país, que em 2023 superou US$ 18,9 bilhões, e a ajuda do FMI com US$ 5,4 bilhões em dois acordos no plano de estabilização, desenvolve para aumentar as reservas internacionais argentinas, facilitando o comércio internacional. As reservas subiram de US$ 21 bilhões, antes da posse do presidente Javier Milei, para US$ 32 bilhões no final de 2024, melhorando a confiança no mercado local.

Além disso, o governo de Milei implementou medidas que simplificaram as operações de comércio exterior, como a eliminação de licenças de importação e a revogação do imposto sobre operações cambiais, que antes oneravam empresas que negociavam com o exterior. Esses fatores ajudaram a reduzir as dificuldades econômicas e possibilitaram um aumento nas vendas de veículos importados, como os carros compactos brasileiros, que têm maior volume e preços mais acessíveis.

Apesar do bom desempenho do setor automotivo, o cenário é misto para as exportações gerais do Brasil para a Argentina. Enquanto as vendas de carros aumentavam, o total de exportações brasileiras para o país caiu 17,6% em 2024, totalizando US$ 13,8 bilhões. Esse recuo é atenuado quando se desconsidera a soja, cujas remessas tiveram um aumento atípico em razão de uma quebra de safra na Argentina.

A recuperação do mercado argentino também reflete um crescimento na demanda interna, especialmente após um período de represamento causado pela disparada nos preços no início do governo Milei. O poder de compra cresceu no segundo semestre, e o crédito também começou a se expandir, impulsionando as vendas de carros. A previsão para 2025 é de que o mercado de veículos na Argentina supere as 500 mil unidades, um crescimento específico em relação aos 400 mil carros vendidos nos últimos dois anos.

Embora as montadoras brasileiras estejam otimistas com a retomada, o setor está atento à possível concorrência de veículos elétricos chineses, especialmente após a redução do imposto de importação para carros elétricos com valor de até US$ 16 mil. Isso pode alterar a configuração do mercado argentino, provocando um aumento nas importações extrazona, fora do Mercosul, e na colocação de carros elétricos como uma nova ameaça para os veículos brasileiros.