A Assembleia Legislativa da Bahia, em parceria com a UCSal, abre segunda edição da mostra com documentos restaurados da Igreja, incluindo correspondências imperiais e o exemplar original da Lei Áurea.
A poucos dias da Independência do Brasil, a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) inaugurou uma nova exposição no Espaço Cultural Josaphat Marinho, em colaboração com a Universidade Católica do Salvador (UCSal). A mostra se chama “A Igreja, a Independência da Bahia e outras conquistas brasileiras” e chega às comemorações em sua segunda edição.
A exposição reúne documentos de grande valor histórico ligados à atuação da Igreja Católica em momentos decisivos da nossa trajetória como nação. Há cartas trocadas entre arcebispos e o imperador Dom Pedro II, que retratam o envolvimento religioso durante a independência da Bahia e outros momentos cruciais.
Entre as peças mais emblemáticas, está o exemplar original da Lei Áurea (Lei nº 3.353 de 13 de maio de 1888), o documento oficial que decretou o fim da escravidão no Brasil. Esse manuscrito, caligrafado por Leopoldo Heck e assinado com penas douradas, integra o acervo da Arquidiocese de São Salvador e é considerado um dos poucos originais preservados do texto que libertou cerca de 720 mil pessoas.
O historiador e restaurador Pedro Conte Lima, responsável pela conservação, destaca que a coleção é “o maior acervo eclesiástico do Brasil”, com registros que vão de 1588 até o início do século XX. Desde os anos 2000, o Laboratório de Conservação e Restauração Reitor Eugênio Veiga (LEV), sob coordenação da professora e artista plástica Ana Maria Vilar, tem trabalhado restaurando essas valiosas peças.
Para o reitor da UCSal, Deivid Lorenzo, revisitar esses documentos significa resgatar a memória cidadã do país e reforçar valores éticos como o respeito ao outro. Ele afirma que o projeto contribui para manter vivo um legado que permanece relevante nos dias atuais.
A intenção agora é transformar a mostra em um projeto itinerante. Com isso, ALBA e UCSal planejam levar a riqueza documental e a memória do povo baiano a outros espaços públicos e privados, sempre com foco educativo e de valorização histórica.
Além dos conteúdos já confirmados, a exposição ganhou oito peças inéditas doadas por colecionadores de São Paulo, incluindo até uma joia que pertenceu à imperatriz Teresa Cristina, esposa de Dom Pedro II — tornando a visita ainda mais completa e impactante.
Por que visitar?
- Presenciar cartas originais que revelam as relações históricas entre a Igreja Católica e o poder imperial.
- Ver de perto o manuscrito da Lei Áurea, símbolo da abolição da escravidão no Brasil.
- Acompanhar uma narrativa restaurada por especialistas que resgatam documentos com séculos de história.
- Apoiar uma iniciativa cultural que busca descentralizar a memória e levar conhecimento a mais pessoas por meio de um caráter itinerante.