A decisão judicial do Amazonas concedeu habeas corpus à médica, investigada por administrar dose incorreta de adrenalina em Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, enquanto a Justiça manteve a ordem de prisão preventiva contra a técnica de enfermagem.
O trágico caso de Benício Xavier de Freitas, um garoto de 6 anos que morreu em Manaus após sofrer agressões e, posteriormente, passar por atendimento hospitalar com falhas, ganhou um desdobramento crucial e polêmico na Justiça do Amazonas. Nesta terça-feira, 10 de dezembro de 2025, o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) negou o pedido de prisão preventiva contra a médica Juliana Brasil Santos, uma das profissionais investigadas, mas manteve a ordem de prisão contra uma técnica de enfermagem que também está sob investigação.
A Reviravolta do Vídeo Apresentado pela Médica
A médica Juliana Brasil Santos estava sendo investigada por ter administrado uma dose de adrenalina diretamente na veia de Benício, o que, segundo a acusação, teria agravado seriamente o quadro clínico.
A reviravolta ocorreu quando a defesa da médica apresentou um vídeo ao desembargador Fábio Lopes. O argumento central da defesa é que o vídeo demonstraria uma suposta falha no sistema de administração de medicamentos do Hospital Santa Júlia, onde Benício estava. A defesa alega que o sistema hospitalar teria trocado automaticamente a via de administração correta do medicamento, eximindo a médica de culpa na prescrição.
Ao conceder o habeas corpus à médica, o desembargador entendeu que a prova apresentada pela defesa fragiliza o argumento da necessidade da prisão preventiva neste momento, permitindo que ela responda ao processo em liberdade.
A Polícia Civil do Amazonas, agora, aguarda uma perícia técnica robusta no sistema do hospital. O delegado Martins alertou que, se a perícia comprovar que o vídeo é falso, ficará evidente que “o Tribunal de Justiça foi enganado pela defesa da médica Juliana Brasil”, o que pode gerar novas consequências jurídicas para a defesa.
Enquanto isso, a técnica de enfermagem teve seu habeas corpus negado, e a ordem de prisão preventiva foi mantida. A Justiça entendeu que, no caso dela, as provas e indícios de sua participação no crime são mais contundentes, justificando a manutenção da prisão para garantir o andamento e a ordem das investigações.
O Caso Benício se arrasta na Justiça, expondo não só a brutalidade da agressão sofrida pelo garoto, mas também as graves questões sobre protocolos de segurança, responsabilidade médica e a busca por verdade em meio a disputas jurídicas e alegações de falhas sistêmicas.