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Caso Cão Orelha: tecnologia, contradições e roupas específicas levam à conclusão do inquérito em SC

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Investigação detalhada da Polícia Civil de Santa Catarina aponta adolescente como autor da agressão fatal e pede sua internação provisória; familiares também são indiciados por coação.

A morte do cão comunitário Orelha, que era o “xodó” da Praia Brava, em Florianópolis, finalmente teve seu desfecho nas investigações policiais. Após semanas de comoção nacional e uma apuração minuciosa, a Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito nesta terça-feira (3), apontando um adolescente como o principal responsável pelo crime que chocou o país no início de janeiro.

A investigação foi um verdadeiro quebra-cabeça tecnológico. Para chegar ao autor, os agentes analisaram mais de mil horas de imagens de 14 câmeras de segurança diferentes. Embora não exista um vídeo que mostre o exato momento do golpe fatal contra o animal, a cronologia dos fatos e as evidências físicas deixaram pouco espaço para dúvidas.

Os 10 pontos que fecharam o cerco A polícia destacou dez fatores cruciais que permitiram identificar o jovem. Tudo começou com o depoimento de 24 testemunhas e a análise de imagens que confirmaram a presença do adolescente no local exato do crime. Um dos pontos mais marcantes foi a “prova do guarda-roupa”: o boné rosa e o moletom que o jovem usava no dia 4 de janeiro foram identificados nas câmeras e, posteriormente, apreendidos em sua bagagem quando ele retornava de uma viagem aos Estados Unidos.

A tecnologia também foi aliada: um software francês de geolocalização confirmou que o celular do suspeito estava na Praia Brava no horário do ataque, enquanto um software israelense ajudou a recuperar dados apagados do aparelho. Além disso, as contradições no depoimento do jovem — que negou ter saído de casa na madrugada do crime, apesar das imagens da portaria eletrônica mostrarem o contrário — foram fundamentais.

Família sob investigação O caso também envolve adultos. Três familiares do adolescente (dois empresários e um advogado) foram indiciados por coação de testemunhas. Segundo a polícia, houve tentativas de esconder as roupas usadas no crime no momento do desembarque no aeroporto e até mentiras sobre a origem do moletom, alegando que havia sido comprado na Disney, o que foi desmentido pelo próprio rapaz.

O Caso Caramelo Durante a apuração, a polícia também resolveu o caso do cão Caramelo, que sofreu tentativa de afogamento dias depois da morte de Orelha. Neste caso, outros quatro adolescentes foram identificados. Felizmente, Caramelo sobreviveu e teve um final feliz: ele foi adotado pelo delegado-geral da Polícia Civil de SC, Ulisses Gabriel.

Agora, o inquérito segue para o Ministério Público e para o Judiciário, que decidirão sobre o pedido de internação do adolescente.

Foto: Reprodução