Grupo especializado assume a apuração sobre tráfico humano e produção de conteúdo infantil com conotação sexual, após influenciador e o marido completarem um mês presos.
Nesta segunda-feira (15), o Ministério Público da Paraíba oficializou que a investigação envolvendo o influenciador digital Hytalo Santos e seu marido, Israel Nata Vicente, passará a ser conduzida integralmente pelo Gaeco-PB (Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado). A medida ocorre após o casal completar um mês de prisão preventiva por suposto envolvimento em tráfico de pessoas e exploração sexual ou trabalho infantil artístico irregular.
O que motivou as prisões
A investigação começou após a divulgação de um vídeo do youtuber Felca, no início de agosto. Nele, denuncias contra Hytalo apontam práticas de “adultização” de adolescentes e uso de menores em conteúdos digitais com teor sexual e para lucro. Na sequência:
- Em 8 de agosto, o perfil de Hytalo no Instagram foi desativado;
- Em 12 de agosto, ele foi proibido de manter contato com menores e teve a monetização de seus vídeos suspensa;
- Em 13 e 14 de agosto, houve mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele;
- Em 15 de agosto, ele e Israel foram presos em Carapicuíba (Grande São Paulo).
Transferência e cumprimento da prisão
O casal foi transferido para João Pessoa em 28 de agosto e está detido na Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, conhecida como Presídio do Roger. Eles foram inicialmente recolhidos em São Paulo e, depois, transportados sob escolta da Polícia Civil e da Polícia Rodoviária Federal.
A investigação segue sob segredo de Justiça, conforme previsto para casos sensíveis, e até o momento apenas os advogados tinham acesso a eles no presídio. Apenas no dia 14 de setembro familiares puderam visitá-los pela primeira vez.
Gaeco assume comando da investigação
O avanço do caso ao Gaeco mostra que as autoridades acreditam haver elementos estruturados que justificam investigação mais aprofundada de possível crime organizado ligado à exploração de menores. O promotor Dennys Carneiro confirmou que o Gaeco será o único responsável pelas provas e diligências daqui em diante, com apoio técnico da Polícia Civil e do MPT.
Testemunhas já vêm sendo ouvidas, e dados de aparelhos eletrônicos foram extraídos. A defesa do casal mantém que os menores apareciam nos vídeos com consentimento dos responsáveis e alega que muitos pedidos de soltura estão em análise pelo Judiciário.