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Casos de câncer colorretal crescem entre jovens e acendem alerta entre especialistas

Foto: GettyImages/BBC
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Doença antes associada a pessoas com mais de 50 anos tem avançado entre adultos jovens em todo o mundo. No Brasil, número de diagnósticos nessa faixa etária aumentou 284% em pouco mais de uma década.

O câncer colorretal, que afeta o intestino grosso e o reto, tem se tornado uma preocupação crescente entre especialistas da saúde. Antes mais comum em pessoas com mais de 50 anos, a doença vem atingindo cada vez mais adultos jovens, entre 20 e 45 anos. Estudos recentes apontam um aumento expressivo nos casos no Brasil e em outros países, levantando o alerta sobre mudanças de hábitos, diagnóstico precoce e conscientização.

Segundo dados do Ministério da Saúde, entre 2013 e 2024 os casos de câncer colorretal em pessoas de até 50 anos aumentaram 284% no Sistema Único de Saúde (SUS). O levantamento foi realizado com base em registros hospitalares e chama atenção pela rapidez do crescimento. Em escala global, a tendência também é observada em países da América do Norte, Europa e Ásia.

De acordo com especialistas ouvidos pela CNN Brasil, o aumento entre os mais jovens pode estar relacionado a fatores de estilo de vida, como alimentação ultraprocessada, sedentarismo, obesidade e consumo excessivo de álcool. O médico oncologista clínico Ricardo Cappellano, do Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp), explica que “o intestino é muito sensível às mudanças alimentares e à rotina moderna. A alta ingestão de carnes processadas, o baixo consumo de fibras e o estresse constante contribuem para o surgimento precoce da doença”.

Além dos fatores de risco comportamentais, há também uma influência genética. Pessoas com histórico familiar de câncer colorretal têm mais chances de desenvolver o problema, o que reforça a importância do acompanhamento médico e de exames preventivos.

Um dos maiores desafios é o diagnóstico tardio. Por ser uma doença tradicionalmente associada a pessoas mais velhas, jovens muitas vezes não são encaminhados para exames como a colonoscopia. Isso faz com que o câncer seja detectado em estágios mais avançados, quando o tratamento é mais difícil. Segundo a oncologista Dra. Tatiana Carvalho, do Hospital Sírio-Libanês, “é fundamental desmistificar a ideia de que o câncer colorretal é uma doença de idosos. Hoje, vemos pacientes de 30 e 40 anos chegando com tumores agressivos”.

Os sintomas, apesar de muitas vezes sutis, precisam ser observados com atenção. Sangue nas fezes, mudanças no hábito intestinal, dores abdominais, perda de peso sem explicação e fadiga persistente são sinais de alerta. Diante de qualquer suspeita, a recomendação é procurar um médico e realizar os exames necessários.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que o Brasil registre mais de 45 mil novos casos de câncer colorretal por ano, sendo um dos tipos de tumor mais incidentes no país. A boa notícia é que, quando identificado precocemente, o câncer colorretal tem altas chances de cura — superiores a 90%, segundo o INCA.

A prevenção segue sendo o principal aliado. Adotar uma dieta rica em fibras, frutas, verduras e legumes, evitar o consumo excessivo de carnes vermelhas e alimentos industrializados, manter o peso adequado e praticar atividades físicas regularmente são atitudes que reduzem significativamente o risco.

Especialistas também reforçam a importância da conscientização e da ampliação das políticas públicas para rastreamento da doença. “Precisamos atualizar as diretrizes de triagem e incentivar os exames preventivos a partir dos 40 anos, ou antes, quando há histórico familiar”, defende o oncologista Ricardo Cappellano.

O aumento do câncer colorretal em jovens serve como um alerta para toda a sociedade: o cuidado com a saúde intestinal deve começar cedo, e a prevenção ainda é a melhor forma de salvar vidas.