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Ceratopigmentação: O Sonho Estético que Acende o Alerta de Riscos Irreversíveis

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Especialistas em Oftalmologia Alertam para Perigos da Cirurgia de Mudança de Cor dos Olhos, Enfatizando o Uso Terapêutico e Não Estético

Recentemente, a ceratopigmentação, procedimento que altera a cor dos olhos, ganhou os holofotes no Brasil após influenciadoras como Andressa Urach e Maya Massafera compartilharem suas experiências. Ambas realizaram a cirurgia no exterior, um fato que ressalta a proibição da técnica para fins estéticos em olhos saudáveis no Brasil. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) são categóricos: a ceratopigmentação para fins estéticos é de alto risco e pode acarretar danos irreversíveis à visão.

O Que é a Ceratopigmentação e Para Quem Ela é Indicada?

A ceratopigmentação, popularmente conhecida como “tatuagem da córnea”, consiste na inserção de micropigmentos nas camadas internas da córnea para modificar sua coloração. O procedimento, em geral, é realizado em duas etapas: primeiramente, um laser é aplicado na superfície da córnea para criar uma íris artificial; em seguida, os pigmentos são aplicados.

No entanto, sua recomendação é estritamente terapêutica. Conforme o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, a técnica é indicada para mascarar leucomas (cicatrizes brancas na córnea), cobrir defeitos congênitos da íris e camuflar o olho esbranquiçado decorrente de perda de visão por trauma. É fundamental entender que a ceratopigmentação não é um procedimento cosmético aprovado por entidades como o CBO no Brasil ou a Academia Americana de Oftalmologia (AAO) nos Estados Unidos para olhos saudáveis.

Riscos e Complicações: Um Preço Alto Pela Estética

Apesar do apelo estético, os riscos associados à ceratopigmentação são alarmantes e superam qualquer benefício visual em olhos saudáveis. A oftalmologista Wanessa Carneiro destaca uma série de complicações possíveis, incluindo:

  • Perfurações e Infecções Oculares: A alteração estrutural da córnea abre portas para infecções graves no interior do olho.
  • Aumento da Pressão Intraocular e Glaucoma: Complicações sérias que podem levar à perda permanente da visão.
  • Inflamações Crônicas e Catarata: Problemas que afetam a saúde ocular a longo prazo.
  • Dificuldade em Exames e Cirurgias Futuras: O pigmento na córnea pode impedir a realização de exames diagnósticos essenciais, como o mapeamento de retina, e inviabilizar cirurgias futuras, como transplantes de córnea ou remoção de catarata.
  • Irregularidade na Cor e Fotofobia: O resultado estético pode ser insatisfatório, com irregularidades na cor, e o paciente pode desenvolver sensibilidade severa à luz (fotofobia).
  • Perda Parcial ou Total da Visão: Em casos extremos, a cicatrização inadequada pode resultar em cegueira definitiva.

O Dr. Pedro Trés Vieira Gomes, do Hospital de Olhos Vitória, reforça que o procedimento é irreversível e que, em alguns casos, mesmo com o tempo, o pigmento pode “desbotar” de forma irregular. Ele enfatiza que a córnea é uma estrutura delicada e qualquer intervenção deve ser criteriosamente avaliada. O oftalmologista Marcos Andião adverte que uma infecção pode, em casos extremos, levar à perda do olho.

Alternativas Mais Seguras para a Mudança da Cor dos Olhos

Para aqueles que desejam alterar a cor dos olhos por razões estéticas, existem alternativas muito mais seguras e reversíveis, como as lentes de contato coloridas. Disponíveis em diversas tonalidades e com diferentes níveis de opacidade, elas permitem a mudança visual da cor dos olhos sem intervenção cirúrgica e sem os riscos associados à ceratopigmentação. É sempre recomendado procurar um oftalmologista para uma avaliação e indicação da melhor opção para cada caso, garantindo a saúde e a segurança ocular.