A produção nacional conquista destaque internacional: o clássico dirigido por Fernando Meirelles figura em 15º lugar na lista do The New York Times, enquanto “I’m Still Here”, de Walter Salles, tem impacto cultural e premiações importantes.
O cinema brasileiro ganhou destaque global ao emplacar dois longas‑metragens em cenários de prestígio internacional, provando sua relevância artística e narrativa.
“Cidade de Deus” no top 15 do século 21
Lançado em 2003, o clássico Cidade de Deus, dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund, foi eleito o 15º melhor filme do século 21 na lista elaborada pelo The New York Times. A premiação reuniu as opiniões de mais de 500 figuras da indústria, entre diretores, atores e críticos.
Adaptado do romance de Paulo Lins, o filme retrata a escalada do crime organizado na favela carioca durante as décadas de 1960 a 1980, por meio dos olhos do narrador Buscapé. Indicada ao Oscar de Melhor Direção, Fotografia, Montagem e Roteiro Adaptado em 2004, a produção misturou elenco profissional e não-profissional para intensificar a autenticidade.
O impacto cultural da obra foi reafirmado em 2015, quando a Abraccine a ratificou como um dos maiores filmes brasileiros.
“I’m Still Here”: potência contemporânea e voz do presente
O cinema nacional segue ganhando força com “I’m Still Here” (Ainda Estou Aqui, 2024), dirigido por Walter Salles. Inspirado no livro de Marcelo Rubens Paiva, o filme conta a saga de Eunice Paiva (Fernanda Torres), que luta pela memória do marido desaparecido na ditadura militar.
Com forte repercussão, foi o primeiro filme brasileiro a concorrer nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional (ex‑Estrangeiro) e Melhor Atriz no Oscar 2025, além de ter vencido o troféu de Melhor Filme Internacional . Fernanda Torres conquistou o Globo de Ouro de Melhor Atriz em Drama, repetindo o feito da mãe, Fernanda Montenegro, que foi indicada ao Oscar por Central do Brasil.
Com 97% no Rotten Tomatoes e 85/100 no Metacritic, o longa também figura entre os cinco melhores títulos internacionais de 2024 pelo National Board of Review. Em cartaz no Brasil, atingiu a marca de R$ 62,9 milhões, tornando-se o 7º maior sucesso de bilheteria nacional do século.
A crítica internacional celebrou o filme por seu vigor narrativo e relevância cultural, especialmente em um país ressignificando a memória da ditadura. Para o produtor Rodrigo Teixeira, esses reconhecimentos reafirmam o cinema brasileiro como “de alto nível”.