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CNH sem autoescola: proposta pode transformar forma de tirar carteira de motorista no Brasil

Agência Brasil
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Governo estuda flexibilizar exigências teóricas e práticas, liberando opção de cursos online e instrutores autônomos — medida promete baratear o processo, mas acende debates sobre segurança e impacto no setor.

O governo federal está avaliando uma mudança drástica no modelo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH): a possibilidade de não exigir aulas obrigatórias em autoescolas para quem deseja se habilitar. Se aprovada, a pessoa poderá optar por estudar teoricamente por conta própria, fazer aulas práticas de forma mais livre ou contratar instrutores autônomos credenciados — desde que seja aprovada nos exames exigidos.

A proposta está sob análise na Casa Civil e, antes de avançar, passará por consulta pública. As regras atuais — como carga horária de 45 horas de teoria e 20 horas de prática — poderiam ser ajustadas ou eliminadas, dependendo do texto final aprovado.

O que muda no processo

  1. Curso teórico flexível
    O candidato poderá estudar por meio de plataforma online da Senatran, no app da CNH Digital ou por meio de cursos presenciais em autoescolas, se preferir.
  2. Carga horária prática opcional
    A exigência de, no mínimo, 20 aulas obrigatórias pode ser abolida. O candidato decidirá quantas aulas fará antes da prova ou até se fará alguma. Instrutores autônomos poderão atuar, desde que credenciados pelos Detrans, não necessariamente vinculados às autoescolas.
  3. Provas continuam obrigatórias
    Mesmo com maior autonomia, será preciso passar nos exames teórico e prático, além dos exames médicos e psicológicos, seguindo o padrão previsto no Código de Trânsito Brasileiro. A Permissão para Dirigir (PPD) e suas regras também permaneceriam válidas.
  4. Categorias além de A e B
    A flexibilização não se limitaria apenas a motos e carros. Os candidatos a categorias como C, D e E poderiam também se beneficiar da nova abordagem.
  5. Redução de custos
    O governo estima que o valor para obter a CNH poderia cair entre 60% e 80%, segundo projeções oficiais.
    Em muitos casos, o custo atual ultrapassa R$ 3 mil — grande parte disso corresponde à autoescola e estrutura física.

Controvérsias e desafios

  • Segurança no trânsito
    Críticos afirmam que aulas mínimas garantem uma base de treinamento; por outro lado, análises científicas sugerem que não há evidências robustas de que a obrigatoriedade das aulas evite acidentes — fatores como atenção, velocidade, consumo de álcool e uso de celular têm papel mais decisivo.
  • Impacto às autoescolas
    O setor teme perdas de mercado e reclama que a proposta foi apresentada sem diálogo amplo. O presidente da representação regional das autoescolas alertou para o risco de desvalorização da categoria e da qualidade na formação.
  • Credenciamento e fiscalização
    Instrutores autônomos precisarão ser regulados pelos Detrans e mantidos em cadastro formal. A proposta prevê veículos identificados e requisitos mínimos para atuação, mas a fiscalização pode ser um desafio em estados com menor estrutura.
  • Resistência política
    Há debates no âmbito estadual e municipal. Alguns parlamentares já manifestaram apoio à medida como forma de democratização; outros pedem cautela para garantir que a mudança não fragilize a segurança viária.

Por que essa mudança vem à tona agora?

O governo argumenta que o atual modelo, caro e burocrático, estimula a informalidade — muitos dirigem sem habilitação por não conseguirem arcar com o custo. A proposta visa ampliar o acesso à CNH, especialmente para jovens e famílias de menor renda, tornando o processo mais ágil e acessível.

Também se diz que a mudança não exige tramitação legislativa, pois pode ser feita por meio de resolução do Contran — desde que aprovada em consulta pública e acordo entre entidades do setor.

Perspectivas e próximos passos

A proposta ainda não tem data certa para entrar em vigor. Passará por consulta pública (que deve durar cerca de 30 dias) e ajustes com os estados e o setor. Após, ficará a cargo do Contran decidir via resolução.

Se aprovada, pode marcar um momento histórico no trânsito brasileiro — tornando o processo de habilitação mais customizado, tecnologicamente integrado e menos oneroso. Mas o equilíbrio entre ampliação do acesso e garantia de segurança será o grande desafio a ser enfrentado.