Semaglutida e liraglutida ficam de fora do sistema público; Fiocruz e EMS firmam parceria para produção nacional e redução de gastos.
A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) decidiu que os medicamentos à base de semaglutida e liraglutida — conhecidos como “canetas emagrecedoras” — não serão incorporados ao Sistema Único de Saúde (SUS) por gerarem um impacto financeiro muito elevado para o governo.
Segundo os levantamentos da comissão, os custos projetados são assustadores: a semaglutida pode culminar em até R$ 6 bilhões em cinco anos, enquanto a liraglutida também representa um volume bilionário de recursos. Somente o SUS com semaglutida teria gasto estimado de R$ 6,4 bilhões em cinco anos, e para liraglutida esse valor chegaria a R$ 9,8 bilhões.
Além do fator financeiro, a Conitec destacou a necessidade de um acompanhamento multidisciplinar — com nutricionistas e psicólogos — para garantir o sucesso do tratamento com essas injeções, o que, na prática, tornaria a adoção em larga escala ainda mais complexa.
Apesar disso, o Ministério da Saúde ressaltou que todas as decisões são baseadas nas melhores evidências científicas sobre eficácia, segurança e análise de custo-efetividade. Para sair desse impasse de custo, a Fiocruz firmou parceria com a farmacêutica EMS, com transferência de tecnologia para produção nacional dos princípios ativos das canetas emagrecedoras em Farmanguinhos, no Rio de Janeiro. Espera-se que essa produção possa reduzir significativamente os preços futuros.
Também foi apontado que essas tecnologias apenas podem ser incorporadas ao SUS após serem rigorosamente validadas tecnicamente pela Conitec — ainda que a Fiocruz e EMS estejam avançando na fabricação.
Outro ponto importante: desde abril, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exige que farmácias retenham a prescrição dessas canetas. A medida, em vigor desde junho, foi tomada para evitar o uso inadequado, sem indicação médica, e proteger a saúde de quem busca emagrecimento rápido.
Em resumo, a Conitec afastou a incorporação dessas medicações ao SUS por causarem pressão financeira e por dependerem de uma estrutura de atendimento que o sistema público ainda não comporta — mesmo com acordos em curso para futura produção nacional que pode baratear os custos.