Participantes do evento em Belém passaram a usar apenas um cartão emitido pela organização para compras — decisão gera críticas por risco de saldo não devolvido e falta de alternativas.
Durante a realização da COP30 em Belém (PA), os organizadores decidiram adotar um sistema de pagamento pouco convencional: nem dinheiro em espécie nem cartões comuns de débito ou crédito serão aceitos nos pontos de venda dentro do evento.
Como vai funcionar
Os participantes foram informados por e-mail de que, para consumir alimentos ou serviços nos locais designados (“Grab & Go” e restaurantes dentro da estrutura do evento), precisarão utilizar exclusivamente um “cartão de pagamento do evento”, gerido por uma empresa especializada, a Cielo.
Esse cartão funciona como se fosse um débito pré-carregado: o usuário poderá incluir créditos usando um cartão de crédito, ou dinheiro em espécie, mas apenas como forma de carregar esse cartão interno — não será possível simplesmente passar o cartão comum ou pagar no caixa com dinheiro.
O que motivou essa escolha
Esse tipo de sistema já é usado em grandes eventos no Brasil, como festivais de música, feiras e festas populares. A ideia inclui controlar fluxos de pagamento, reduzir filas, melhorar logística e registrar com precisão o uso dos recursos dentro do evento. No entanto, esse tipo de sistema também vem com críticas — especialmente quanto à devolução de créditos não utilizados após o término do evento.
As reclamações e os alertas
Logo após o anúncio, participantes e especialistas levantaram algumas preocupações importantes:
- Saldo não utilizado: Em versões anteriores desse sistema, houve reclamações de que parte do crédito carregado no cartão especial não foi devolvido depois do evento.
- Liberdade de escolha reduzida: A obrigatoriedade de usar um único cartão limita o que o participante pode usar — por exemplo, compras com cartões tradicionais, pagamento em dinheiro ou mesmo dividir contas com outras pessoas de forma convencional se tornam inviáveis.
- Transparência e custo oculto: Em muitos casos, taxas de carregamento ou mesmo limites de uso não são totalmente claros para o usuário no momento do cadastro ou carregamento.
- Alternativa fora do evento: Os organizadores já mencionaram que, para quem não quiser aderir ao sistema, será preciso sair da área para usar formas de pagamento tradicionais. Ou seja: dentro, só o cartão do evento.
O que isso significa para os participantes
Participar de um evento como a COP30 agora exige planejamento adicional:
- Assim que chegar, será necessário registrar-se para obter o cartão do evento — o processo incluirá verificação de identidade (por exemplo, número de passaporte) e cadastramento com a Cielo.
- Depois, será preciso carregar esse cartão para poder consumir dentro dos locais designados.
- Quem não aderir tem a opção de sair da área oficial de eventos para usar pagamento normal — o que pode exigir tempo extra, deslocamento e complicações logísticas.
- Se sobrar saldo no cartão depois do evento, a devolução pode não ser imediata ou pode implicar burocracia, conforme histórico de eventos similares.
O contexto da escolha
Em grandes eventos, usar um sistema fechado de pagamento permite controle fiscal, registro de transações e, segundo os organizadores, maior segurança e agilidade. Por outro lado, para os usuários, isso traz restrições que podem gerar desconforto ou sensação de perda de controle sobre seu próprio dinheiro. Se compararmos com outras edições de encontros internacionais ou festivais, esse tipo de sistema já gerou debates sobre “quem lucra com o crédito não usado” ou “qual a transparência do consumo”.
Conclusão
A decisão da COP30 de rejeitar dinheiro e cartões tradicionais e adotar um cartão exclusivo revela tanto uma busca por inovação logística quanto uma mudança no relacionamento entre organizador e participante. Para muitos, é uma conveniência — para outros, é uma limitação. O importante agora é que os participantes estejam informados sobre as condições, os limites e os riscos associados (como saldo não devolvido ou dependência de único meio de pagamento) antes de desembarcar em Belém.