Apenas 47 dos 196 países já confirmaram participação com reservas—e valores de hotel chegam a ser mais de 10 vezes maiores. Governo anuncia grupo de trabalho para buscar soluções sem subsídios.
Faltando cerca de 80 dias para a realização da COP30, em Belém (PA), apenas 47 das 196 nações esperadas já confirmaram presença e garantiram hospedagem para o evento internacional sobre mudanças climáticas. Na COP anterior, realizada em Baku, na Azerbaijão, quase todos os países estiveram presentes — 193 deles.
A disparidade entre as expectativas e a realidade está ligada aos preços exorbitantes de acomodações: algumas diárias chegam a ultrapassar US$ 2 mil, um aumento superior a dez vezes o valor usual. Esse cenário especialmente afeta países em desenvolvimento e ilhas pequenas, que dependem de custos acessíveis para participar.
Diante da preocupação de que muitos não consigam garantir presença, o governo brasileiro montou uma força-tarefa envolvendo Casa Civil, Itamaraty, Ministério do Turismo, o governo do Pará e a presidência da COP30. O grupo busca negociar com o setor hoteleiro e imobiliário alternativas viáveis, repactuar condições e flexibilizar exigências de hospedagem.
Para priorizar quem está em maior desvantagem, a ação inicial da força-tarefa será focada nos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS) e nos países Menos Desenvolvidos (LDCs), com expansão posterior para outras delegações. A secretaria-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, já adiantou que o governo não subsidiará hospedagem de delegações, inclusive das mais ricas, alegando que a iniciativa cabe à ONU.
Durante uma recente reunião com o Bureau da UNFCCC (Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima), muitos países indicaram que esperavam esclarecer questões como essas antes de concretizar reservas. Miriam Belchior afirmou:
“Nós acreditamos que boa parte dos países estava esperando essa reunião para seguir para o passo seguinte das reservas… com esses encontros bilaterais […] vamos conseguir destravar esse primeiro lote de reservas”.
Entre as alternativas, está o desmembramento de pacotes de hospedagem para períodos menores, facilitando reservas parciais em vez de requerer estadia integral. Além disso, transatlânticos já foram contratados para o período oficial da COP30, mas, se houver extensão nas negociações, esses participantes serão realocados para hotéis disponíveis