A Artista e Ativista Detalha o Processo de Internação e o “Maior Ensinamento” de Cuidar da Saúde Mental, Quebrando Estigmas e Promovendo Reflexão
Salvador, Bahia – Em um ato de notável coragem e vulnerabilidade, Linn da Quebrada, figura proeminente na arte e no ativismo brasileiro, veio a público para abordar um dos períodos mais desafiadores de sua vida: a internação para tratar a dependência química e a depressão. Em uma entrevista recente, a artista de 34 anos revelou os bastidores de sua jornada de recuperação, oferecendo um relato franco e desromanticizado sobre a complexidade de reconhecer e enfrentar o abuso de substâncias, especialmente em comunidades onde o uso pode ser naturalizado.
O desabafo de Linn trouxe à tona a importância inegociável do respeito e do cuidado com a saúde mental. Ela compartilhou que o processo de cessar o ciclo de abuso é “uma arte”, comparando-o a “lidar com o luto de algo que vira um hábito, uma rotina”. A artista enfatizou que a substância, muitas vezes, é apenas um sintoma de um sofrimento mais profundo. “A substância é só um sintoma. Quando você recorre a ela, o corpo já está doente há muito tempo”, pontuou, ressaltando a necessidade de um olhar atento às raízes do problema.
A atriz e cantora, que já havia sido internada em junho de 2024 devido a um quadro de depressão, deixou a clínica de reabilitação em abril, marcando um novo capítulo em sua busca por bem-estar. Sua trajetória, marcada por uma ascensão meteórica na música e na televisão – com destaque para sua participação no Big Brother Brasil e performances aclamadas em diversas produções –, também a expôs às pressões inerentes à vida pública. A fala de Linn da Quebrada ressoa com a crescente conscientização sobre a saúde mental no meio artístico, onde a pressão por performance e a exposição constante podem agravar quadros de ansiedade, depressão e dependência.
Linn, que vive em um ambiente como São Paulo, onde o uso de substâncias, inclusive o álcool, pode ser naturalizado, especialmente entre grupos marginalizados como a comunidade LGBTQIAP+, destacou a dificuldade em identificar o ponto em que o consumo recreativo se torna abusivo. “Saber finalizar é uma arte, porque é saber matar a si mesma e lidar com o luto, porque é algo que vira um hábito, rotina, a repetição de uma cena que nunca termina, ela recomeça todos os dias e a gente não percebe que recomeçou uma nova cena”, explicou. Para ela, o maior ensinamento dessa experiência foi o respeito à saúde e o cuidado com a saúde mental, reforçando a importância de se apoiar em uma rede de proteção e de verbalizar as necessidades nesses momentos cruciais. Sua voz se soma a de outros artistas e personalidades que têm usado suas plataformas para desmistificar as doenças mentais e a dependência, incentivando a busca por ajuda e tratamento sem vergonha ou estigma.