Laudo preliminar deve ser divulgado em até uma semana; família questiona resgate e aponta negligência durante o acidente na Indonésia
O corpo da publicitária e mochileira Juliana de Souza Pereira Marins, encontrada morta após queda em trilha do vulcão Rinjani (Lombok, Indonésia), foi liberado na manhã desta quarta-feira após passar por nova autópsia no Instituto Médico Legal (IML) Afrânio Peixoto, no Centro do Rio. Os exames, conduzidos por peritos da Polícia Civil com supervisão de profissionais da Polícia Federal e representantes da família, duraram aproximadamente duas horas e meia. O laudo preliminar deve ser entregue em até sete dias .
Conforme a família, o exame é resultado de questionamentos sobre a certidão de óbito emitida na Indonésia, que apresentava lacunas quanto à hora e às circunstâncias precisas da morte. Na autópsia original, realizada em Bali, autoridades indonésias apontaram múltiplas fraturas e hemorragia interna com morte ocorrida cerca de 20 minutos após o trauma, descartando hipotermia como causa.
De acordo com a Defensoria Pública da União (DPU), representada pela defensora Taísa Bittencourt, a nova perícia servirá não apenas para apontar a causa, mas também para definir a hora da morte com mais precisão, o que pode ser fundamental para investigar possíveis omissões no resgate. A DPU solicitou à Polícia Federal abertura de inquérito para aprofundar as investigações.
Motivações e próximos passos
- A Advocacia-Geral da União (AGU) colaborou com a realização do exame, atendendo ao pedido da família, que apontou inconsistências na autópsia indonésia.
- O corpo segue agora para Niterói, onde o velório público será realizado no cemitério Parque da Colina nesta sexta-feira, com abertura ao público das 10h às 12h e cerimônia restrita após esse horário, seguida de cremação.
- O laudo final pode subsidiar eventual apuração internacional das circunstâncias da queda e do socorro tardio.
Contexto da tragédia
Juliana, de 26 anos, despencou em uma trilha do Monte Rinjani sob circunstâncias obscuras em 20 de junho. Inicialmente localizada por drone cerca de 500 m abaixo do caminho principal, ela foi encontrada morta três dias depois, logo após equipes enfrentarem condições adversas de visibilidade e terreno íngreme. A autópsia preliminar apontou morte por traumatismo e hemorragia interna, com possível sobrevivência breve após o impacto.
A família contesta versões que afirmam que ela recebeu água, comida ou abrigo, alegando falta de clareza em informações repassadas pelo Itamaraty e pelas autoridades de resgate indonésias. Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva revogou diretrizes para amparar financeiramente o translado do corpo ao Brasil, e o governo federal arcará com as despesas . A prefeitura de Niterói também ofereceu apoio.
Por que a nova autópsia é decisiva
- Precisão temporal: identificar com exatidão o horário da morte pode indicar falha ou atraso no resgate.
- Transparência da perícia: a versão brasileira permitirá confirmar ou contestar a análise indonésia, sem lacunas.
- Instrumento legal: o laudo respaldará qualquer investigação da Polícia Federal, especialmente se houver negligência internacional.