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Cortejo do 2 de Julho reúne multidão em Salvador e destaca o papel do povo baiano na independência

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Com o tema “Eu sou o 2 de Julho”, cortejo histórico teve presença de Lula, Janja, autoridades e ativismo cultural em homenagem à Independência da Bahia

Na manhã desta quarta-feira (2 de julho de 2025), Salvador vivenciou uma das celebrações cívicas mais tradicionais do país: o cortejo do Dois de Julho. A data marca o triunfo das tropas brasileiras que, em 1823, expulsaram os portugueses da Bahia, consolidando a independência nacional Sob o tema “Eu sou o 2 de Julho”, a edição de 2025 reforça a centralidade do povo baiano no evento histórico.

A programação começou cedo, às 6h, com alvorada e queima de fogos no Largo da Lapinha. Às 8h, houve hasteamento das bandeiras e execução do Hino Nacional. Logo após, milhares de pessoas — muitos trajando vestimentas típicas — acompanharam o desfile, que avançou pelo Centro Histórico, passando por locais emblemáticos como Convento da Soledade, Ordem Terceira do Carmo e Igreja do Rosário dos Pretos.

O momento de maior destaque foi a chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou ativamente do cortejo a partir das 9h30, ao lado do governador Jerônimo Rodrigues, da primeira-dama Janja, da ministra da Cultura Margareth Menezes e de outras lideranças federais e estaduais, como o vice-governador Geraldo Júnior e a ministra Anielle Franco. A primeira-dama também chamou atenção ao caminhar junto ao presidente pelas ruas do Centro Histórico.

Ao discursar, Lula enfatizou que “com orgulho e respeito, o Brasil reconhece essa luta”, ressaltando a importância de homenagear essa conquista histórica. Ele aproveitou para relembrar o envio ao Congresso Nacional, na terça-feira (1º), de projeto de lei que propõe transformar o 2 de julho em “Dia da Consolidação da Independência” no calendário nacional. Sem querer transformar em feriado federal, o presidente comentou com leveza: “feriado a gente já tem até demais”.

Autoridades locais reforçaram essa união em torno da memória histórica. O prefeito Bruno Reis afirmou que “o povo baiano é independente, autônomo, e não aceita ser subserviente”, e anunciou o investimento de R$ 400 mil do município e do IGHB na preservação do Pavilhão Dois de Julho. Ex-prefeito e presidente estadual do União Brasil, ACM Neto, também participou do cortejo e declarou: “A Bahia é maior do que os seus políticos”, uma mensagem de valorização da identidade coletiva.

Na véspera, em cerimônia realizada na Praça General Labatut, aconteceu a tradicional chegada do Fogo Simbólico, que iniciou o trajeto de grupos de caboclos partindo de Cachoeira e Mata de São João, atravessando várias cidades envolvidas na luta contra Portugal e chegando à Pirajá. A cerimônia contou com a solenidade de transferência do fogo ao Panteão local.

A tradição dos Caboclos do 2 de Julho — figuras que simbolizam a união dos povos indígenas e mestiços que lutaram pela independência — remonta a 1824 e é um dos símbolos mais fortes da festa. O cortejo segue uma rota patrimonial tombada pelo IPAC e hoje é reconhecido como um bem cultural que fortalece a memória histórica baiana.

As festividades prosseguem até 13 de julho, com concursos de fachadas, apresentações culturais, homenagens e shows em diversos pontos da cidade, fortalecendo o caráter popular e plural desta data tão significativa.