Empresário e dono do Banco Master enviou comunicado oficial ao colegiado nesta sexta-feira (20); defesa alega cerceamento por falta de acesso a documentos.
A CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga supostas irregularidades no INSS sofreu um revés em seu cronograma de trabalhos. Nesta sexta-feira (20), o empresário Daniel Vorcaro, principal acionista do Banco Master, confirmou oficialmente que não irá comparecer ao depoimento que estava agendado para a próxima terça-feira, dia 24 de fevereiro.
A oitiva de Vorcaro era considerada uma das mais importantes desta fase da investigação. O colegiado busca esclarecer o fluxo de investimentos e operações financeiras que envolvem recursos da previdência social, e o nome do empresário surgiu no radar dos parlamentares devido à atuação de sua instituição financeira em mercados relacionados aos temas apurados.
O motivo do cancelamento A decisão de não comparecer não foi uma escolha pessoal de última hora, mas uma estratégia jurídica fundamentada. A defesa de Daniel Vorcaro informou à comissão que o empresário não prestará depoimento enquanto não for garantido o acesso total e irrestrito aos autos do processo e aos documentos sigilosos que fazem parte da investigação.
Segundo os advogados, sem conhecer o teor completo das suspeitas ou os documentos que embasam as perguntas dos parlamentares, o depoimento violaria o direito constitucional à ampla defesa. A defesa sustenta que ninguém pode ser compelido a depor em uma situação de “cegueira processual”, onde os dados da acusação ou investigação estão ocultos para o convocado.
Próximos passos da CPMI Com a confirmação da ausência para a próxima terça-feira, o presidente e o relator da comissão devem se reunir para decidir como reagir ao impasse. Entre as opções estão o adiamento formal da data para que a defesa analise os documentos (caso o acesso seja liberado) ou a busca por medidas judiciais para garantir a presença do empresário em uma data futura.
O Banco Master tem sido um dos players que mais crescem no Brasil, e a exposição de seu principal executivo em uma CPMI de tamanha repercussão atrai os olhares não apenas da política, mas de todo o mercado financeiro. A investigação segue tentando rastrear o caminho do dinheiro público e garantir que o sistema previdenciário esteja protegido contra fraudes.