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Dark Horse: Hollywood narra Jair Bolsonaro como herói em cinebiografia prevista para 2026

Crédito: Kebec Nogueira/ Metrópoles
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Produção americana de alto perfil quer contar a trajetória política do ex-presidente em inglês, minimizando controvérsias

Um filme sobre Jair Bolsonaro está em produção nos Estados Unidos. Intitulado Dark Horse — termo que simboliza uma surpresa política —, o longa será inteiramente em inglês e tem lançamento previsto para 2026. O projeto já iniciou testes de elenco, com contratos de confidencialidade e busca por atores com sotaque brasileiro, que interpretarão Bolsonaro, sua família e aliados.

Herói sem polêmica: a narrativa de coragem e superação

Produzido por Michael Davis e dirigido por Cyrus Nowrasteh, o filme pretende retratar Bolsonaro como “um homem corajoso e determinado, impulsionado pela decepção com os rumos do país”. A sinopse oficial destaca sua ascensão de capitão do Exército à liderança política, exaltando suas conquistas e omitindo ou suavizando os episódios mais controversos de sua trajetória.

Produção global: locações no Brasil e na Argentina

As filmagens devem começar em outubro, com cenas rodadas no Brasil e na Argentina para garantir autenticidade visual e cultural. A direção de elenco, liderada por Ricki G. Maslar, busca atores — brasileiros ou norte‑americanos de origem latina — que combinem semelhança física e fluência em inglês com sotaque brasileiro realista.

Foco no atentado de 2018 e trajetória política

Entre os trechos mais esperados do filme está a dramatização do atentado a faca sofrido por Bolsonaro durante um ato em Juiz de Fora (MG), em 2018. A recuperação e os lances emocionais vividos por sua família também devem ter destaque na narrativa.

Expectativas e controvérsias antecipadas

A iniciativa já movimenta debates: apoiadores enxer­gam a obra como uma justa homenagem, enquanto críticos questionam a narrativa de heroísmo numa figura polarizadora. O roteiro, ao desconsiderar escândalos e críticas, pode cair em revisionismo histórico. Especialistas levantam dúvidas sobre o impacto cultural de uma produção que despolitiza político tão divisivo.

Panorama cinematográfico e político

Dark Horse se soma a um crescente interesse mundial por histórias brasileiras com carga política. É nessa esteira que se insere o documentário Apocalipse nos Trópicos, de Petra Costa, lançado em 2025 na Netflix, que examina a influência evangélica na ascensão de Bolsonaro e traz reflexões sobre democracia global e populismo, estabelecendo um contraponto significativo à narrativa heroica proposta por Dark Horse.

O contraste entre essas obras evidencia perspectivas divergentes sobre o mesmo protagonista: enquanto Costa destaca riscos à democracia e seu legado controverso, Dark Horse surge como uma versão hollywoodiana de superação individual e patriotismo.