Após nova análise, governo mantém negativa para a Finerenona, medicamento que poderia evitar hemodiálise em milhares de pacientes diabéticos; entenda os motivos e o impacto dessa medida.
Uma notícia que caiu como um balde de água fria para pacientes e médicos nefrologistas foi confirmada nesta semana: o Ministério da Saúde decidiu não incluir a finerenona no rol de medicamentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O remédio é considerado uma das maiores inovações dos últimos anos para proteger os rins de quem sofre com o diabetes tipo 2, evitando que a doença evolua para a falência total do órgão.
Mesmo após recursos e uma forte pressão de sociedades médicas, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) manteve o parecer negativo. A decisão barra o acesso gratuito a um tratamento que poderia mudar a vida de milhares de brasileiros que hoje dependem da rede pública.
Por que o remédio é tão importante?
Para quem tem diabetes tipo 2, um dos maiores medos é a chamada doença renal do diabetes. Com o tempo, o excesso de açúcar no sangue “machuca” os filtros dos rins, o que pode levar o paciente à fila da hemodiálise ou à necessidade de um transplante.
A finerenona atua de forma diferente dos remédios antigos: ela bloqueia receptores que causam inflamação e cicatrizes (fibrose) no coração e nos rins. Estudos internacionais mostram que o uso desse medicamento reduz drasticamente o risco de internações por insuficiência cardíaca e, principalmente, retarda a perda da função renal.
O motivo do “não” do governo
A grande questão, como em muitos casos no SUS, passa pelo bolso. O Ministério da Saúde e a Conitec alegam que o preço do medicamento ainda é muito elevado em relação ao benefício orçamentário que ele traria no curto prazo.
Além disso, o governo argumenta que já existem outros remédios na rede pública, como as iSGLT2 (conhecidas popularmente como “gliflozinas”), que também ajudam na proteção renal. No entanto, médicos especialistas rebatem esse argumento, explicando que a finerenona serve para pacientes que não podem usar as gliflozinas ou que precisam de uma proteção extra porque o quadro é muito grave.
O impacto no dia a dia do brasileiro
Sem a oferta no SUS, quem precisa da medicação e não tem condições financeiras de arcar com o custo mensal — que pode passar de R$ 200,00 a R$ 300,00 por caixa — fica sem alternativa. A consequência a longo prazo pode ser um gasto ainda maior para o governo, já que manter um paciente em hemodiálise custa muito mais caro para os cofres públicos do que o tratamento preventivo com o remédio.
Atualmente, o Brasil tem uma das maiores populações de diabéticos do mundo, e a doença renal é a principal causa de entrada em programas de diálise no país. Entidades médicas prometem continuar lutando para que a decisão seja revisada futuramente, alegando que “economizar” na prevenção hoje é gerar uma crise de saúde amanhã.