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Dia Nacional da Baiana de Acarajé ganha celebração especial no Centro Histórico de Salvador

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Uma homenagem ancestral às mulheres que sustentam a cultura baiana com fé, sabor e resistência

No dia 25 de novembro, Salvador celebra o Dia Nacional da Baiana de Acarajé com uma programação que vai muito além de uma homenagem simbólica: é um dia dedicado a exaltar a história, a força e a importância cultural dessas mulheres que se tornaram um dos maiores símbolos da identidade baiana. As atividades acontecem no Centro Histórico, especialmente no Pelourinho, e reúnem tradição religiosa, gastronomia, música e muita ancestralidade.

A celebração é organizada anualmente pela Associação das Baianas de Acarajé (ABAM) e tem início com uma missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. A cerimônia é carregada de significado, unindo fé católica e tradições afro-baianas, refletindo as raízes que moldam o ofício dessas mulheres.

Após a missa, um cortejo percorre as ruas do Pelourinho. Vestidas com trajes tradicionais — saias rodadas, batas brancas, colares coloridos e turbantes — as baianas caminham entre as ruas de pedras e as fachadas coloniais, emocionando moradores, turistas e admiradores da cultura baiana.

A programação da tarde inclui um almoço especial para centenas de baianas, reforçando a união e a valorização dessas profissionais que mantêm viva uma tradição centenária. Em seguida, acontecem apresentações culturais em pontos emblemáticos, como a Praça da Cruz Caída e a Praça da Sé, com música, dança e manifestações que celebram a herança africana presente na Bahia.

Mas a comemoração vai além da festa. O evento tem como principal objetivo reforçar a luta pela valorização e preservação do ofício das baianas de acarajé, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Muitas dessas mulheres carregam saberes transmitidos por gerações, que envolvem não apenas a culinária, mas também histórias ancestrais, relações com a religiosidade e um papel social fundamental nas comunidades onde atuam.

O Dia Nacional da Baiana de Acarajé foi instituído pela Lei nº 12.206, em 2010, com o propósito de reconhecer oficialmente a importância histórica, social e cultural dessas mulheres. Além do valor simbólico, o ofício representa uma forma de empreendedorismo tradicional, que movimenta a economia local e atrai turistas de todas as partes do mundo.

A data também é um momento de destacar os desafios enfrentados pelas baianas, como a necessidade de políticas públicas de apoio, capacitação, segurança no trabalho e reconhecimento profissional. A ABAM e outras instituições reforçam, a cada edição, que preservar esse patrimônio imaterial é fortalecer a identidade cultural baiana e brasileira.

Assim, a celebração no Centro Histórico não é apenas um evento anual, mas um ato de resistência, memória e orgulho. É a prova viva de que as baianas são guardiãs de uma herança rica, que atravessa séculos e continua influenciando a gastronomia, a religiosidade e a cultura do Brasil.