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Dinossauros na Amazônia? Cientistas de Roraima confirmam pegadas com até 110 milhões de anos

Foto: Reprodução/Youtube
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Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima encontram pegadas fossilizadas de diferentes dinossauros em Bonfim (RR), apontando que esses animais viviam na região da Amazônia, e não apenas a cruzavam.

Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) fizeram uma descoberta impressionante: pegadas fossilizadas de dinossauros com mais de 100 milhões de anos surgiram em lajedos rochosos no município de Bonfim, no norte de Roraima. Esse achado inédito representa, segundo os estudiosos, a primeira evidência sólida de que esses animais pré-históricos de fato habitaram a Amazônia.

O trabalho de investigação foi longo: levou cerca de 14 anos para comprovar que aquelas depressões nas rochas não eram apenas marcas aleatórias, mas sim trilhas deixadas por dinossauros reais. Segundo o geólogo Vladimir de Souza, um dos líderes da pesquisa, as primeiras pegadas foram notadas em 2011 ao investigar afloramentos de arenito na região.

Quem andava por ali havia milhões de anos

De acordo com os estudos, foram identificados seis morfotipos diferentes de dinossauros, ou seja, diferentes tipos de pegadas que sugerem ao menos seis grupos distintos — tanto carnívoros quanto herbívoros. Há indícios de que alguns desses animais eram criaturas gigantes — com marcas de rastros que podem ter sido deixados por dinossauros de mais de 10 metros de altura. Outros vestígios indicam dinossauros menores, como os velociraptores, com pegadas de três dedos e também trilhas de migração.

Essas pegadas também mostram padrões interessantes no comportamento desses dinossauros: os herbívoros migravam em manadas e eram seguidos por carnívoros, segundo os pesquisadores, reforçando a ideia de que eles viviam efetivamente naquela região. Além disso, foram encontradas marcas que podem sugerir “nado” ou escavação, o que indica a presença de ambientes variados na época, talvez com trechos alagados.

Ambiente pré-histórico e vegetação

O terreno onde foram encontradas as pegadas é composto por rochas sedimentares de arenito. Análises geológicas indicam que, há cerca de 110 milhões de anos, a região poderia ter sido uma planície de inundação ou uma área semiárida, com períodos de água e areia.

Além disso, os pesquisadores identificaram fósseis antigos de plantas no local — como coníferas, samambaias e plantas com flores — que ajudam a reconstruir o ecossistema daquele período e mostram que a vegetação da Amazônia antiga era bem diferente do que vemos hoje.

Significado e futuras possibilidades

A descoberta tem peso científico, histórico e até turístico. Cientificamente, ela aponta para uma diversidade de dinossauros na Amazônia que antes não era comprovada. Historicamente, muda a percepção sobre a fauna pré-histórica brasileira, mostrando que não eram apenas regiões temperadas que abrigavam grandes répteis. Já no turismo e na educação, os pesquisadores pensam em criar um parque geológico, para preservar o local, fomentar novas pesquisas e atrair visitantes interessados em paleontologia.

Também há implicações para a comunidade local: aprender que aquelas terras foram ocupadas por dinossauros pode fortalecer o valor cultural e científico da Amazônia de Roraima, inspirando projetos educativos e criando novas oportunidades para jovens cientistas.