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Diretor do Banco Central revela à PF que instituição tinha apenas R$ 4 milhões em caixa antes da quebra

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Em depoimento impactante, Ailton de Aquino detalha a fragilidade financeira que levou à liquidação da instituição e explica por que o socorro de última hora foi negado.

O cenário econômico brasileiro foi sacudido por novas revelações sobre o colapso do Banco Master. Em depoimento prestado à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (30), o diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino, trouxe à tona números que impressionam pela gravidade. Segundo ele, pouco antes de o BC decretar a liquidação extrajudicial da instituição em 2025, o banco contava com apenas R$ 4 milhões em seu caixa disponível.

Para uma instituição financeira do porte do Master, esse valor é considerado insignificante, sendo insuficiente para cobrir até mesmo as operações mais básicas de um único dia de funcionamento.

O caminho para a liquidação De acordo com o depoimento, a situação do Banco Master já vinha sendo monitorada de perto pelas autoridades monetárias. O diretor explicou que a saúde financeira da instituição se deteriorou de forma acelerada, atingindo um ponto de não retorno. Quando o Banco Central decidiu intervir, o objetivo era proteger o sistema financeiro nacional e evitar um efeito dominó que pudesse prejudicar outros bancos e, principalmente, os correntistas.

A PF investiga agora se houve má gestão, fraude ou se a falta de liquidez foi ocultada em balanços anteriores. A revelação de que o banco operava “no fio da navalha” com apenas R$ 4 milhões levanta sérias questões sobre a governança interna da empresa.

Por que o Banco Central não salvou o Master? Um dos pontos mais sensíveis do depoimento de Aquino foi a justificativa para a negativa de socorro financeiro. Muitas vezes, o BC atua como “emprestador de última instância” para salvar bancos em crise temporária. No entanto, no caso do Master, a avaliação técnica foi de que o banco não era mais viável.

Injetar dinheiro público ou autorizar linhas de crédito especiais em uma instituição que apresentava um rombo muito maior do que sua capacidade de recuperação seria, nas palavras implícitas do diretor, um risco inaceitável para o Tesouro Nacional. O BC entendeu que a liquidação era a única saída para estancar a sangria.

O impacto para os clientes e o mercado Com a liquidação confirmada e os detalhes da falta de dinheiro vindo a público, os clientes do Banco Master agora dependem do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Vale lembrar que o FGC garante depósitos de até R$ 250 mil por CPF, mas quem possuía valores acima disso na instituição entra na fila de credores, enfrentando um processo que pode levar anos.

O depoimento de Ailton de Aquino é peça-chave no inquérito da PF que busca responsabilizar os administradores do banco. Enquanto isso, o mercado financeiro observa com cautela, reforçando a importância de uma fiscalização cada vez mais rigorosa sobre bancos de médio porte.

Foto: Rovena Rosa/ agência Brasil