Executivos respondem a acusações de fraude e corrupção; Justiça impôs tornozeleira eletrônica e outras restrições
O empresário Sidney Oliveira, dono da rede de farmácias Ultrafarma, e o diretor executivo da Fast Shop, Fábio Faria, foram soltos na noite desta sexta-feira (15), em São Paulo, após pagamento de uma fiança milionária. Os dois estavam presos preventivamente desde terça-feira (13), no bairro do Belenzinho, na capital paulista, em meio a uma investigação que apura um esquema de fraude fiscal, lavagem de dinheiro e corrupção.
A decisão pela soltura foi tomada pela Justiça Federal, que fixou fiança de R$ 25 milhões para cada um. Além do valor recorde, os executivos terão que usar tornozeleira eletrônica, estão proibidos de deixar o país e de manter contato com outros investigados.
A investigação
O caso veio à tona durante a operação “Venda Cruzada”, da Polícia Federal, em parceria com o Ministério Público Federal. As investigações apontam que as duas empresas estariam envolvidas em práticas de sonegação de impostos, manipulação de notas fiscais e repasses ilegais para ocultar movimentações financeiras.
De acordo com a apuração, valores milionários teriam circulado em contas ligadas a laranjas e empresas de fachada, beneficiando tanto os empresários quanto aliados políticos e fornecedores. A investigação também estuda possíveis ligações do esquema com contratos públicos e benefícios fiscais indevidos.
A defesa dos acusados
A defesa de Sidney Oliveira e de Fábio Faria nega todas as acusações. Os advogados afirmam que não houve fraude e que as empresas sempre atuaram de acordo com a legislação. Eles também consideram a fiança de R$ 25 milhões “desproporcional” e avaliam recorrer da decisão judicial.
Apesar disso, os magistrados entenderam que havia risco de continuidade das práticas criminosas caso ambos permanecessem em liberdade sem restrições, motivo pelo qual mantiveram medidas cautelares rígidas.
Impactos no mercado
A prisão dos executivos e as suspeitas contra a Ultrafarma e a Fast Shop causaram forte repercussão no setor empresarial. Analistas apontam que as denúncias podem abalá-las financeiramente e manchar suas reputações.
A Ultrafarma, conhecida por vender medicamentos a preços populares, e a Fast Shop, uma das maiores redes de eletrodomésticos e eletrônicos do Brasil, são referências em seus segmentos. O caso levanta dúvidas sobre a governança e os mecanismos de compliance adotados pelas companhias.
O Ministério Público segue analisando documentos e quebras de sigilos bancário e fiscal. A expectativa é que nos próximos meses a denúncia seja formalizada, podendo levar os executivos a responderem a um processo criminal.