Investigação analisa transações milionárias de marcas ligadas à influenciadora, fluxo financeiro bilionário e apura suposta ligação indireta com investidora ligada a organização criminosa
A influenciadora digital e empresária Virgínia Fonseca e seu parceiro, o cantor Zé Felipe, estão no centro de uma complexa investigação conduzida pela Polícia Federal (PF). O inquérito busca destrinchar a rota, a origem e o destino final de repasses milionários que transitam pelas empresas e contratos assinados em nome do casal. Os negócios da influenciadora ganharam forte repercussão nacional após relatórios apontarem transações atípicas e possíveis irregularidades fiscais e financeiras de grande porte.
O escrutínio das autoridades foca, entre outros pontos, na gestão de faturamento da marca de cosméticos WePink — que registrou um faturamento bilionário de R$ 1,3 bilhão em 2025 — e no envolvimento da famosa com o mercado de apostas online. Vale lembrar que o nome de Virgínia já havia sido debatido durante as sessões da CPI das Bets, com pedido formal de indiciamento em seu relatório final. Agora, as investigações avançaram institucionalmente com o procedimento instaurado pela PF.
Os principais pontos da investigação
De acordo com informações de bastidores reveladas pelas revistas Piauí e Agência Pública, o fluxo financeiro de uma das empresas de Virgínia movimentou mais de R$ 21 milhões em um curto período de apenas sete meses. Outro ponto que acendeu o alerta dos peritos criminais foi uma divergência tributária significativa: o repasse de R$ 17,7 milhões via PIX para a agência Talismã Digital, vindos de uma empresa cadastrada no Simples Nacional e sediada em Santa Catarina, que também está sob investigação por suspeita de estelionato.
Suposta ligação indireta com o crime organizado
A apuração também mapeia a origem societária dos negócios e tenta esclarecer uma suposta ligação indireta com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A WePink foi fundada por Virgínia Fonseca em parceria com o casal de empresários Samara Martins e Thiago Stabile. Antes dessa união, o casal era proprietário da rede de clínicas de estética Pink Lash.
Durante as investigações desse negócio anterior, Karen de Moura Tanaka Mori, apontada como a “Japa do PCC”, admitiu ter injetado R$ 800 mil para a abertura da Pink Lash. Esse capital teria como origem o falecido marido de Karen, apontado pelas autoridades como uma antiga liderança da organização criminosa. A apuração destaca, contudo, uma transição: o casal de sócios rompeu a sociedade com a investidora antes de se unir a Virgínia para lançar a marca de cosméticos de sucesso.
O outro lado
Diante da repercussão do caso, Virgínia Fonseca se manifestou publicamente afirmando que conheceu a antiga investidora estritamente em eventos comerciais e de forma superficial. A influenciadora declarou ainda que não associa a sua imagem ou as suas empresas a possíveis envolvimentos ilícitos de terceiros por meras relações passadas de convivência de seus atuais sócios.
Em nota oficial, a assessoria jurídica e a defesa de Virgínia Fonseca e Zé Felipe negaram veementemente qualquer conduta ilícita. A equipe jurídica reforçou que todas as atividades financeiras, contábeis e comerciais dos artistas seguem rigorosamente a legislação vigente no país, operando com total legalidade, transparência de mercado e conformidade fiscal.