Conhecida como a principal causa de morte súbita no mundo, a condição tem diagnóstico difícil, atinge o músculo cardíaco e costuma ser silenciosa
A morte precoce do atleta de fisiculturismo e influenciador digital Gabriel Ganley, de apenas 22 anos, pegou a internet de surpresa e acendeu um alerta para um problema de saúde grave. O atestado de óbito do jovem apontou que a causa da morte foi uma cardiomiopatia hipertrófica, doença que provoca uma parada cardíaca súbita e é considerada a maior responsável por mortes repentinas no mundo inteiro, exigindo uma atenção redobrada de quem pratica esportes de alta intensidade.
Gabriel era muito querido nas redes sociais, acumulando mais de 1,6 milhão de seguidores no Instagram e cerca de 1 milhão no TikTok, plataformas onde costumava mostrar o seu dia a dia de treinos focados em competições e a sua rotina de alimentação.
A cardiomiopatia hipertrófica é uma alteração que faz o músculo do coração ficar muito mais grosso (espesso) do que o normal com o passar do tempo. Essa mudança geralmente acontece por conta de um defeito genético e atrapalha bastante as funções do órgão, dificultando o momento em que o coração precisa relaxar para receber o sangue e fazendo com que ele se contraia de forma exagerada. O grande problema é que esse engrossamento da parede do coração pode criar barreiras que impedem a circulação correta do sangue e prejudicam o ritmo dos batimentos cardíacos.
Uma das características mais perigosas dessa condição é o fato de ela ser extremamente silenciosa. Estima-se que cerca de 90% das pessoas que têm a doença não apresentam nenhum tipo de sintoma. Por causa disso, muitas vezes o primeiro sinal acaba sendo uma arritmia fatal em momentos de esforço físico intenso. Quando os sintomas aparecem, eles costumam se parecer com os de uma insuficiência cardíaca comum, envolvendo dores no peito, falta de ar, tonturas, desmaios, palpitações e cansaço excessivo.
Como o diagnóstico é difícil, os médicos geralmente começam a desconfiar do problema ao notar barulhos incomuns no batimento (os chamados sopros no coração) ou alterações em exames simples de rotina, como o eletrocardiograma. A certeza da doença vem depois de exames mais detalhados, como o ecocardiograma e a ressonância magnética do coração.
Quando alguém descobre que tem a doença, a prioridade médica é calcular os riscos de uma morte súbita, focando especialmente em pacientes mais jovens, com menos de 40 anos. O tratamento varia desde o uso de remédios específicos e cirurgias até o implante de um desfibrilador interno para impedir que o coração pare de bater em casos de emergência. Como a doença tem forte ligação hereditária, os especialistas recomendam que testes genéticos e exames clínicos sejam feitos em toda a família quando existe um histórico conhecido da condição.