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Entenda a denúncia sobre “adultização” de crianças feita pelo youtuber Felca que mobilizou investigações no Brasil

Foto: Reprodução
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Vídeo do youtuber Felca expôs casos de sexualização de menores em conteúdos digitais e levantou alerta sobre os limites na exposição infantil

Nos últimos dias, o termo “adultização” de crianças ganhou espaço no debate público brasileiro, após um vídeo do youtuber Felca viralizar nas redes sociais. Com mais de 50 minutos, o conteúdo detalha situações em que crianças e adolescentes são expostos de forma sexualizada ou colocados em contextos que simulam comportamentos adultos para gerar entretenimento online.

A denúncia, que já levou à remoção de perfis e à abertura de investigações pelo Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), gira em torno das produções de conteúdo do influenciador Hytalo Santos. Felca reuniu trechos de vídeos e postagens que mostram meninas menores de idade participando de desafios de dança com conotação sexual, festas com consumo de álcool e drogas, além de situações que expõem a intimidade e a vida pessoal dessas adolescentes.

Um dos exemplos mais citados é o de Kamylla, que teria entrado no grupo de realities de Hytalo aos 12 anos e, ao longo dos anos, aparecido em situações cada vez mais sugestivas, incluindo a exibição de um procedimento estético para aumento dos seios em suas redes sociais. Segundo Felca, esse tipo de exposição cria uma narrativa voltada ao consumo adulto, mesmo sendo protagonizada por menores.

O que significa “adultização” de crianças

O termo “adultização” não está previsto como crime na legislação brasileira, mas descreve a prática de atribuir comportamentos, roupas, linguagem ou atividades adultas a crianças e adolescentes — muitas vezes, de forma sexualizada. No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) proíbe qualquer forma de exploração, constrangimento ou exposição indevida de menores de 18 anos, seja ela física, psicológica ou digital.

Especialistas alertam que a adultização é um fenômeno que ganhou força com as redes sociais, onde a busca por engajamento e curtidas pode levar criadores de conteúdo a ultrapassarem limites éticos e legais. Além disso, algoritmos podem acabar promovendo ainda mais esses conteúdos, facilitando o acesso por públicos inapropriados.

Por que a denúncia foi feita

O objetivo de Felca ao expor o caso foi chamar atenção para os riscos desse tipo de conteúdo, que pode alimentar comportamentos predatórios e reforçar a exploração infantil. Ele também denunciou a falta de ação efetiva das plataformas para retirar vídeos e perfis que sexualizam menores, apontando que algumas práticas contornam filtros de segurança usando códigos, termos em outros idiomas e formatos aparentemente “inofensivos”.

A repercussão foi imediata: perfis foram removidos, parlamentares se manifestaram e os órgãos públicos abriram inquéritos. O MPPB e o MPT agora investigam se houve violação do ECA e se os responsáveis podem responder por crimes relacionados à exploração e à exposição sexual de adolescentes.

Hytalo Santos nega as acusações, afirma que as jovens eram emancipadas ou tinham autorização dos responsáveis, e diz que seu conteúdo tinha caráter de entretenimento. No entanto, as autoridades tratam o caso como grave, justamente por envolver menores de idade e por seus efeitos na vida dessas adolescentes a longo prazo.

O episódio reacende a discussão sobre a responsabilidade de influenciadores, pais, plataformas e do próprio público na proteção da infância no ambiente digital.