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Entenda como funciona a Lei Rouanet e o financiamento de “O Agente Secreto”, novo filme de Kleber Mendonça Filho

Foto: Divulgação
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Com Wagner Moura no elenco, produção desperta curiosidade sobre como o dinheiro público é usado no cinema nacional e como funciona o sistema de incentivos.

Desde que o novo projeto do premiado diretor Kleber Mendonça Filho (de Bacurau e Aquarius) foi anunciado, o filme “O Agente Secreto” virou um dos assuntos mais comentados do país. Estrelando Wagner Moura, a produção não apenas promete ser um sucesso de crítica, mas também reacendeu um debate muito comum no dia a dia do brasileiro: o uso da Lei Rouanet e de outros fundos públicos para o cinema.

Para entender como esse filme saiu do papel, é preciso mergulhar no complexo, mas fascinante, mundo do fomento à cultura no Brasil. Muita gente ainda acredita que o governo “dá um cheque” direto para o artista, mas a realidade é bem diferente e envolve muita burocracia e estratégia de mercado.

Como a Lei Rouanet entra na história?

No caso de “O Agente Secreto”, o projeto foi autorizado a captar recursos via Lei Rouanet (Lei de Incentivo à Cultura). O funcionamento é o seguinte: o governo não entrega o dinheiro. Ele dá uma autorização para que os produtores do filme batam na porta de grandes empresas (como bancos ou estatais) e peçam patrocínio. Em troca, essas empresas podem descontar parte desse valor do seu Imposto de Renda. É, na verdade, uma renúncia fiscal. Se a empresa não investir no filme, o dinheiro vai para os cofres da União do mesmo jeito.

O reforço do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA)

Além da Rouanet, o filme conta com verbas do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Esse é um detalhe que muita gente esquece, mas é fundamental. O FSA é alimentado por taxas pagas pela própria indústria de telecomunicações e cinema (a Condecine). Ou seja, é um dinheiro que o próprio setor gera para se autofinanciar. Para produções de grande porte, como esta, que envolvem reconstituição de época (o filme se passa no Recife dos anos 70), esse investimento é essencial para garantir a qualidade visual e técnica.

Por que investir tanto em um filme?

Investir em cinema não é apenas “fazer arte”. Filmes como “O Agente Secreto” movimentam uma cadeia gigantesca. São centenas de empregos diretos — de figurinistas e motoristas a técnicos de som e editores — além de girar a economia local das cidades onde as gravações acontecem, como hotéis e restaurantes. Além disso, ter Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho em um projeto coloca o Brasil nas vitrines dos maiores festivais do mundo, como Cannes, atraindo visibilidade e possíveis exportações do conteúdo.

Em resumo, o financiamento de “O Agente Secreto” é um exemplo de como o Brasil utiliza mecanismos de incentivo para manter sua indústria cultural viva e competitiva, gerando trabalho e exportando a nossa identidade para o resto do planeta.