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Estudantes transformam papel e fibra de coco em cimento sustentável e promovem ressocialização na Bahia

Foto: Reprodução
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Projeto inovador do Centro Territorial de Educação Profissional do Sisal une sustentabilidade, impacto social e capacitação de internos para produzir biocimento com baixo custo e alta resistência

Um grupo de estudantes da escola pública Centro Territorial de Educação Profissional do Sisal, em Serrinha (BA), está mudando a realidade da comunidade com uma ideia simples e brilhante: transformar papel triturado e fibra de coco em um cimento sustentável de alta resistência — o chamado biocimento — e ainda usar esse projeto como ferramenta de ressocialização em um presídio local.

O desafio nasceu em 2024, quando os alunos notaram o grande volume de papéis descartados na escola. Com o professor Thales Lima do Nascimento, perceberam que poderiam reaproveitar esse material em algo útil. Testaram fórmulas com cimento, brita, papel e, por fim, a fibra de coco, que trouxe mais durabilidade ao bloco. Os primeiros protótipos eram simples, mas evoluíram até atingir resistência próxima a 3 toneladas, além de impermeabilidade — ou seja, resistiam bem à água.

Com essa base, o trabalho rendeu prêmios: destaque na feira nacional Solve for Tomorrow Brasil, troféus honrosos e participação entre os melhores projetos de engenharia do país, além de representação da Bahia em eventos científicos.

A ideia se tornou ainda mais poderosa ao ganhar nova dimensão social. Hoje, o projeto está integrado à rotina do Conjunto Penal de Serrinha, onde internos aprendem a produzir os blocos. A parceria, formalizada em julho de 2025, oferece conhecimento técnico, infraestrutura e um propósito transformador para essas pessoas privadas de liberdade — tudo supervisionado pelos estudantes e pelo professor.

Desde setembro, a previsão é começar a construir calçadas gratuitas para famílias em situação de vulnerabilidade na região, com blocos feitos por essa dupla força de estudantes e internos. Já foram planejadas dez calçadas, com possibilidade de expansão, inclusão de ecobricks (blocos para paredes), e até a construção de um ambiente de acolhimento dentro do presídio com o próprio material produzido.

Os estudantes vislumbram transformar essa iniciativa em uma startup sustentável, com apoio do Sebrae, automatizando a produção e ampliando sua atuação. A proposta reforça a ideia de que soluções para problemas reais podem nascer em sala de aula e também serem uma ponte para a reconstrução de vidas.

O professor Thales resume: “É gratificante ver que pesquisa pode gerar inovação tecnológica e inclusão social.” E os alunos comemoram: “É maravilhoso saber que podemos contribuir para a reintegração social, dando vida nova ao papel que viraria lixo.