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Estudo revela que Mounjaro age diretamente no cérebro para reduzir obsessão por comida — mas efeito pode não ser permanente

Foto: Reprodução
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Tirzepatida altera sinais cerebrais ligados ao prazer e ao impulso de comer, segundo pesquisa pioneira realizada nos Estados Unidos

Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia divulgaram um estudo inovador que pode transformar a forma como entendemos o uso do Mounjaro no controle da compulsão alimentar. Pela primeira vez, cientistas monitoraram, em tempo real, a atividade elétrica do núcleo accumbens — região do cérebro ligada ao prazer, motivação e vícios — antes e depois do uso da tirzepatida, substância ativa do medicamento.

O grupo analisado era formado por pacientes que já tinham eletrodos implantados na região por causa de um tratamento experimental para compulsão alimentar. Em uma das participantes, uma mulher de 60 anos, os pesquisadores observaram uma redução clara nas ondas elétricas de baixa frequência associadas ao desejo intenso por comida. Ela relatou que, durante os primeiros meses de uso, o “ruído alimentar” — aquele pensamento constante sobre comida — praticamente desapareceu.

Contudo, esse efeito não se manteve indefinidamente. Cerca de cinco meses depois, os sinais voltaram a aparecer, e o impulso obsessivo por comida retornou algumas semanas mais tarde. Isso indica que, apesar de atuar diretamente nos circuitos cerebrais que geram o impulso de comer por prazer, o cérebro pode se adaptar ao medicamento, diminuindo sua eficácia com o tempo.

Estudos anteriores já haviam mostrado que a tirzepatida reduz a ingestão calórica e diminui o desejo por alimentos. Em testes clínicos, pacientes que usaram o medicamento comeram menos em refeições livres e relataram menor compulsão, maior saciedade e queda significativa no apetite.

Esse novo estudo reforça a ideia de que a tirzepatida não age apenas no metabolismo, mas também modifica a forma como o cérebro processa o impulso de comer. Com isso, abre-se a possibilidade de desenvolver abordagens personalizadas no futuro, combinando o medicamento com terapias comportamentais e monitoramento de sinais cerebrais para prevenir recaídas.

Outro ponto que pesquisadores destacam é que muitos usuários relatam mudanças no paladar ao usar medicamentos como Mounjaro e Ozempic — doces e salgados passam a parecer mais intensos, o que pode contribuir para a diminuição do consumo por prazer.

Apesar dos resultados animadores, especialistas alertam que ainda é cedo para considerar o Mounjaro uma solução definitiva para compulsão alimentar. O estudo foi feito com poucas pessoas e os efeitos parecem diminuir com o tempo. A recomendação é continuar investigando como prolongar ou reforçar os benefícios da tirzepatida e entender melhor a adaptação do cérebro ao medicamento.