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EUA passam a tratar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas; entenda o impacto da decisão

Foto: SHAWN THEW/EFE/EPA
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Nova classificação dada pelo governo norte-americano permite congelamento rápido de bens, aumenta o rigor financeiro e acende debates sobre a soberania no Brasil

A partir desta sexta-feira, 5 de junho de 2026, entra em vigor uma decisão histórica do governo dos Estados Unidos que muda drasticamente a forma como o país lida com as duas maiores facções criminosas do Brasil. O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) deixam de ser classificados apenas sob a ótica do narcotráfico e do crime organizado transnacional e passam a receber formalmente o tratamento de organizações terroristas.

A medida, anunciada no final de maio pelo Departamento de Estado americano por meio de uma nota assinada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, inclui as facções na categoria de Organização Terrorista Estrangeira (FTO). Na prática, essa mudança burocrática e jurídica concede ao governo norte-americano ferramentas muito mais rápidas e agressivas para sufocar as finanças desses grupos.

De acordo com analistas e especialistas em segurança, o principal impacto imediato ocorre na velocidade das investigações e no bloqueio de capitais em solo americano. Procedimentos como o confisco de propriedades e o congelamento de contas bancárias de indivíduos suspeitos de ligação com as facções tornam-se consideravelmente mais ágeis.

Além disso, a legislação dos EUA estabelece que prestar conscientemente “suporte material” — o que abrange desde recursos financeiros, armas e logística até consultorias ou uso de sistemas tecnológicos — a uma entidade designada como terrorista passa a ser um crime grave em território americano.

O impacto nas empresas e no sistema financeiro

A mudança promete trazer reflexos diretos ao ambiente de negócios no Brasil, gerando o que o mercado chama de elevação do custo de conformidade (compliance). Empresas e investidores estrangeiros interessados em aplicar recursos no mercado brasileiro terão de redobrar os cuidados e investir mais na análise de dados e auditorias para garantir que seus parceiros comerciais não possuam qualquer tipo de contaminação com o dinheiro ilícito das facções.

O alerta atinge especialmente as pequenas instituições financeiras e as plataformas de tecnologia financeira, as chamadas fintechs, apontadas por especialistas como um dos principais alvos de monitoramento por serem potenciais portas de entrada de recursos de origem criminosa.

Tensões diplomáticas e soberania nacional

A decisão do governo de Donald Trump também carrega um forte peso geopolítico e reabre discussões complexas com o governo brasileiro. Internamente, a classificação divide opiniões. De um lado, parlamentares de oposição ao governo federal, como o senador Flávio Bolsonaro, vinham defendendo a medida publicamente e chegaram a solicitar a inclusão das facções na lista americana de terrorismo em reuniões em Washington. Do outro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do Ministério das Relações Exteriores manifestaram preocupações prévias de que a medida pudesse ameaçar a soberania nacional.

O temor principal das autoridades brasileiras reside no fato de que o enquadramento como terrorismo permite que agências dos EUA, como a CIA, atuem com maior autonomia operacional e sigilo no monitoramento das facções globais, reduzindo a dependência de acordos bilaterais formais de cooperação e o envio de cartas rogatórias. O governo brasileiro também sinalizou o receio de que o rótulo de terrorismo prejudique investigações conjuntas em andamento e traga impactos indiretos à economia, ao turismo e à atratividade do comércio exterior do país.