Meia do Bahia conta que jogou até um dia antes da cirurgia, relembra choque com a notícia e destaca apoio da família como força para superar
O mundo do futebol foi surpreendido quando Everton Ribeiro, meia e capitão do Bahia, revelou recentemente que foi diagnosticado com câncer de tireoide. Em entrevistas ao Fantástico e ao GE/Globo, ele abriu o coração, descreveu o momento do diagnóstico e falou sobre como tem encarado a recuperação, sempre com fé, apoio da família e esperança.
Como tudo começou: o diagnóstico
A descoberta ocorreu nos exames de rotina que Everton fazia ao se reapresentar ao Bahia após as férias. Os médicos identificaram alterações hormonais em relação aos exames anteriores, o que despertou a atenção da diretora de saúde do clube. Uma nova bateria de exames, incluindo ultrassom e punção, levou ao diagnóstico confirmatório de câncer de tireoide.
“Foi um momento assustador”, contou o jogador. Ele revelou que, ao ouvir a palavra “câncer”, ficou paralisado. “É muito forte”, disse, lembrando que foi um dos dias mais difíceis da vida.
A notícia veio na concentração para um jogo decisivo: ele descobriu pouco antes de viajar para a partida de ida da final da Copa do Nordeste. Mesmo abalado, optou por seguir viagem e jogar. A esposa, Marília Nery, imediatamente entrou em ação para buscar médicos e orientações.
A cirurgia e o momento em que jogou até quase o último minuto
Everton passou pela cirurgia para retirada do tumor algumas semanas após o diagnóstico. Curiosamente, entrou em campo até um dia antes da operação, durante a partida do Bahia contra o Flamengo. Apesar da tensão, permaneceu em atividade até o minuto 41 do segundo tempo.
O jogo teve um significado especial: ele só revelou o diagnóstico mais tarde aos mais próximos. Amigos e ex-companheiros — como Filipe Luís, Rodrigo Caio e Bruno Henrique — souberam pela esposa. Após o jogo, deram apoio, trocaram palavras de força e abraços que marcaram o momento delicado.
“Chorei sozinho” — o impacto emocional
Everton relatou que, ao receber o diagnóstico, foi para o quarto e desabou sozinho, sem saber com quem conversar. Disse que se sentiu perdido, sem precedentes na família e sem referência. A partir daí, buscou informação, apoio e tomou decisões ao lado da esposa e da equipe médica.
Marília, sua esposa, contou que, ao ouvir a confirmação de que o tumor era maligno, sentiu um choque profundo. “Eu esperava ouvir que era só um susto”, afirmou. No entanto, decidiu agir rapidamente: ligou para especialistas, mobilizou cuidados e se tornou o pilar emocional do jogador durante todo o processo.
Everton revelou que, após o susto inicial, passou por momentos de reflexão, fé e gratidão. “A gente aprende a valorizar ainda mais a saúde. Sem ela, nada é possível”, disse. Ele afirmou que acredita que Deus o está cuidando e que essa experiência reforçou seus laços familiares.
Tratamento, recuperação e prognóstico
O câncer de tireoide — embora cause preocupação — é um dos tipos com maior taxa de cura quando diagnosticado a tempo e tratado adequadamente. Em muitos casos, o tratamento envolve a retirada total ou parcial da glândula tireoide, seguida de reposição hormonal para manter o equilíbrio do corpo.
No caso de Everton, o procedimento foi bem-sucedido, e ele está em fase de recuperação. O jogador escolheu seguir esse período no Rio de Janeiro, ao lado da esposa e dos filhos, Augusto e Antônio.
De acordo com especialistas, a recuperação pós-cirurgia costuma ser rápida, mas, no caso de atletas de alto desempenho, há cuidados adicionais para preservar o condicionamento físico e a estabilidade hormonal. Novos exames definirão o momento em que o meia poderá retornar gradualmente aos treinos.
Câncer de tireoide no Brasil — dados e alerta
O câncer de tireoide é um dos mais comuns entre as mulheres, ficando atrás apenas dos de pele, e é relativamente raro entre os homens. Muitas vezes, é descoberto em exames de rotina, pois tende a evoluir de forma silenciosa.
No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, entre 2023 e 2025, ocorram cerca de 16.600 novos casos por ano, com proporção de quatro mulheres para cada homem diagnosticado. Especialistas alertam que, embora a maioria dos nódulos seja benigna, qualquer caroço no pescoço, especialmente próximo à tireoide, deve ser avaliado por um médico.
Exames como ultrassonografia com Doppler ajudam na detecção precoce. Se forem identificados nódulos suspeitos, é feita a biópsia por punção para confirmar se há malignidade.
No esporte, outros atletas já enfrentaram problemas semelhantes e conseguiram voltar à ativa. Um exemplo é a jogadora de vôlei Dani Lins, que também passou por cirurgia na tireoide e voltou às quadras poucas semanas depois, inspirando outros esportistas que vivem situações parecidas.
Com sua revelação, Everton Ribeiro mostra que, além de craque dentro de campo, é um exemplo de coragem, fé e superação fora dele. O jogador está cercado de apoio, cumprindo todas as etapas da recuperação e iniciando um novo capítulo de sua vida com serenidade e esperança.
Fique atento ao portal Nova Imagem para mais informações, depoimentos e atualizações sobre a recuperação do atleta.