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Everton Ribeiro revela diagnóstico de câncer de tireoide: entenda o caso e o tratamento

Foto: Reprodução/Celo Gil
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O meia do Bahia passou por cirurgia bem-sucedida e busca recuperação com reposição hormonal e acompanhamento competente

Nesta segunda-feira, 6 de outubro de 2025, Everton Ribeiro anunciou que foi diagnosticado com câncer de tireoide e já realizou uma cirurgia para remoção do tumor. Ele publicou em suas redes sociais que o procedimento correu bem e agora está em fase de recuperação, com o apoio da família e dos torcedores.

Mesmo após obter o diagnóstico, o jogador seguiu atuando normalmente pelo Bahia e participou da partida contra o Flamengo, no dia anterior à operação. Agora, ele se dedica à recuperação e ao tratamento, com expectativa de voltar aos gramados assim que estiver apto.

O que é câncer de tireoide e qual sua gravidade?

A tireoide é uma glândula localizada na região anterior do pescoço, responsável por produzir hormônios — como a tiroxina — que regulam o metabolismo, o consumo de energia, a frequência cardíaca e outras funções do corpo.

Esse tipo de câncer pode surgir quando células da tireoide se multiplicam de forma descontrolada. Existem vários subtipos, sendo os mais frequentes:

  • Papilífero: é o tipo mais comum, representando cerca de 70–80 % dos casos. É geralmente de crescimento lento e costuma ter bom prognóstico.
  • Folicular: menos frequente, pode apresentar risco maior de metástase.
  • Medular: raro, muitas vezes associado a fatores genéticos.
  • Anaplásico e pouco diferenciado: são os mais agressivos, com crescimento rápido e menor chance de resposta aos tratamentos.

De modo geral, quando identificado cedo e tratado de maneira adequada, o câncer de tireoide costuma ter altas taxas de cura e baixa mortalidade.

Sintomas, diagnóstico e sinais de alerta

Em muitos casos, a doença se desenvolve sem causar sintomas específicos, o que dificulta a detecção precoce. Alguns sinais que podem indicar um problema e que merecem investigação são:

  • Presença de nódulo palpável no pescoço
  • Sensação de “aperto” ou “peso” na região da garganta
  • Rouquidão persistente
  • Dificuldade para engolir ou sensação de incômodo ao deglutir
  • Aumento rápido de volume do nódulo ou surgimento de gânglios no pescoço

Para investigar, os médicos costumam usar:

  1. Ultrassonografia da tireoide — avalia tamanho, textura, padrão vascular dos nódulos e presença de possíveis linfadenopatias (gânglios aumentados).
  2. Biópsia por punção aspirativa com agulha fina (PAAF) — coleta células do nódulo para análise. Esse é um exame relativamente simples e ambulatorial.
  3. Exames de sangue para verificar os níveis dos hormônios da tireoide e o hormônio estimulador da tireoide (TSH).

Importante: a presença de nódulo na tireoide não significa necessariamente “ter câncer”. Muitas pessoas têm nódulos benignos — estima-se que 70 % a 80 % da população adulta pode apresentar algum nódulo tireoidiano, dos quais apenas cerca de 5 % a 12 % são malignos.

Tratamento: como é feito?

O tratamento do câncer de tireoide depende do tipo, tamanho, grau de agressividade e presença ou não de metástase. Os pilares terapêuticos mais empregados são:

1. Cirurgia (tireoidectomia)

É quase sempre o primeiro passo. Pode ser:

  • Tireoidectomia total (remoção de toda a glândula)
  • Tireoidectomia parcial ou lobectomia (remoção de parte da glândula)

Se houver acometimento de gânglios próximos, eles também podem ser removidos (esvaziamento cervical).

2. Terapia com iodo radioativo (radioiodoterapia)

Quando há risco de células tumorais remanescentes, utiliza-se iodo-131 para destruir essas células. Eles absorvem iodo como a tireoide, então o tratamento atinge focos residuais ou às vezes metastáticos.

Geralmente, antes da aplicação de iodo radioativo, o paciente deve seguir uma dieta pobre em iodo e interromper temporariamente o uso de hormônios tireoidianos para otimizar a captação do iodo.

Nem todos os pacientes precisam de iodo radioativo — essa opção é mais indicada quando o tumor é maior ou apresenta características de risco (invasão local, linfáticos atingidos ou metástase).

3. Reposição hormonal (levotiroxina) e supressão do TSH

Depois da cirurgia, o organismo deixa de produzir hormônios da tireoide (na tireoidectomia total, quase sempre). Por isso, a pessoa precisa tomar levotiroxina para repor esses hormônios e manter funções metabólicas normais.

Além disso, em muitos casos busca-se manter o hormônio estimulador da tireoide (TSH) suprimido, pois ele pode estimular o crescimento de células tumorais remanescentes.

4. Quando é necessário tratamento mais agressivo

Em situações de tumores com comportamento mais agressivo ou recidiva, pode ser necessário:

  • Tratamento com radioterapia externa
  • Uso de quimioterapia ou terapias-alvo, como inibidores de quinases (ex: lenvatinibe)
  • Ensaios clínicos ou tratamentos experimentais em casos de tumores pouco diferenciados ou anaplásicos

Prognóstico e recuperação: o que esperar

Em muitos casos, principalmente os tipos papilífero e folicular diagnosticados precocemente, o prognóstico é muito favorável, com altas taxas de cura.

No pós-operatório de uma cirurgia tireoidiana (especialmente em pacientes saudáveis ou atletas), a recuperação costuma ser rápida: alguns dias para retornos leves e semanas para normalização completa.

Em casos como o de Everton Ribeiro, onde o paciente já é atleta e de alta performance, há cuidado especial na reabilitação: ajustar doses hormonais, controlar efeitos colaterais e acompanhar a recuperação física para retomar aos treinos.

Também é comum fazer monitoramento regular por meio de exames de imagem (ultrassonografia cervical) e exames de sangue (medição de marcadores como tireoglobulina, que pode indicar possível recidiva)

Alguns pacientes — dependendo da extensão do tumor — ficam por longo tempo em seguimento, mas mantêm qualidade de vida com tratamento e acompanhamento adequado.

O caso de Everton Ribeiro e a trajetória esperada

Everton Ribeiro divulgou que foi diagnosticado há cerca de um mês e passou por cirurgia no dia 6 de outubro. Ele informou que tudo correu bem e segue em recuperação com fé e apoio da família e dos torcedores.

O diagnóstico não interrompeu sua participação em jogos: ele disputou a partida contra o Flamengo um dia antes da cirurgia. Após a operação, o meia ficará afastado dos treinos por tempo indeterminado, e seu retorno dependerá dos resultados dos exames e da evolução clínica.

Especialistas consultados na imprensa afirmam que não há razão para crer que o diagnóstico vá comprometer sua carreira, desde que o tratamento seja bem conduzido e a recuperação adequada.

Um exemplo inspirador no mundo esportivo é o da levantadora Dani Lins, da seleção brasileira de vôlei, que descobriu um câncer de tireoide, se submeteu a cirurgia e retornou às quadras em menos de duas semanas. Essa trajetória reforça que, com suporte médico, disciplina e saúde, é possível retomar a rotina.

Considerações finais

O diagnóstico de câncer, sobretudo em atleta de alto nível, costuma gerar apreensão — mas é importante destacar que o câncer de tireoide, em muitos casos, responde bem ao tratamento e tem prognóstico favorável quando tratado de forma precoce e correta.

No caso de Everton Ribeiro, há expectativa otimista de recuperação. O sucesso dependerá de:

  • Um bom equilíbrio hormonal pós-cirurgia
  • Cuidados no pós-operatório
  • Monitoramento constante
  • Apoio multidisciplinar (endocrinologistas, oncologistas, equipe médica esportiva)

A trajetória dele pode servir de alerta: nódulos na tireoide devem ser avaliados, especialmente se surgirem sinais como rouquidão, aumento rápido, desconforto ao engolir ou presença de gânglios no pescoço. Buscar avaliação médica especializada nunca é demais.