João Ricardo Mendes foi detido no Aeroporto de Fortaleza; Ministério Público já solicitou a conversão da prisão para preventiva
O empresário João Ricardo Mendes, fundador e ex-CEO da agência de viagens Hurb (antiga Hotel Urbano), foi preso em flagrante na tarde desta terça-feira (6) no Aeroporto Internacional de Fortaleza, no Ceará. O executivo, que está no centro de uma série de polêmicas e processos judiciais envolvendo a empresa, tentava embarcar em um voo com destino a São Paulo quando foi abordado por agentes de segurança.
De acordo com as autoridades, a prisão ocorreu após a identificação de que Mendes portava e tentava utilizar documentação falsa para realizar o check-in e passar pela inspeção de embarque. O Batalhão de Policiamento Turístico (BPTur) da Polícia Militar do Ceará efetuou a detenção e encaminhou o empresário para a sede da Polícia Federal, onde o flagrante foi formalizado.
MP pede prisão preventiva
A situação de João Ricardo Mendes se complicou ainda mais poucas horas após a prisão. O Ministério Público (MP) agiu rapidamente e solicitou à Justiça a conversão da prisão em flagrante para prisão preventiva. O argumento dos promotores é que a tentativa de utilizar documentos falsos demonstra um claro risco de fuga e uma tentativa de se esquivar das responsabilidades judiciais que ele já enfrenta.
Vale lembrar que o ex-CEO e o Hurb são alvos de milhares de processos em todo o Brasil. A empresa enfrenta uma crise sem precedentes desde 2023, acumulando dívidas milionárias com hotéis e deixando milhares de clientes sem conseguir viajar ou receber o estorno de pacotes vendidos.
Um histórico de polêmicas
João Ricardo Mendes já vinha chamando a atenção de forma negativa há algum tempo. Além da crise financeira da empresa, ele se envolveu em episódios controversos, como a exposição de dados de clientes e vídeos em que aparecia xingando e ameaçando consumidores que reclamavam dos serviços prestados.
Na internet, muitos clientes que se sentem lesados pelo Hurb acompanharam a notícia da prisão com um misto de surpresa e desabafo. Especialistas jurídicos apontam que este novo episódio com o documento falso pode ser o estopim para que a Justiça brasileira endureça ainda mais as medidas cautelares contra o empresário, que até então respondia aos processos em liberdade.
O Hurb, que já foi uma das maiores “travel techs” da América Latina, segue operando sob forte fiscalização da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), mas a confiança do mercado e do público está cada vez mais fragilizada com os desdobramentos criminais envolvendo seu principal fundador.