Fenômeno conhecido como “doomscrolling” aumenta estresse e ansiedade; neurologista recomenda consumo equilibrado de informações positivas para contrabalançar efeitos nocivos
O hábito de consumir continuamente notícias negativas, especialmente por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, tem sido associado a impactos adversos na saúde mental e física. Esse comportamento, denominado “doomscrolling”, caracteriza-se pela rolagem compulsiva por conteúdos deprimentes ou alarmantes, e tem se tornado cada vez mais comum na era digital.
A neurologista Anete Guimarães, do Rio de Janeiro, destaca que a exposição a notícias negativas pode reduzir a imunidade do organismo. Segundo ela, “cinco minutos de notícia ruim, sem reação racional, precisam de cinco horas de notícia boa para compensar”. Essa afirmação baseia-se no fato de que emoções negativas desencadeiam a liberação de hormônios como adrenalina e cortisol, que, em excesso, podem causar doenças como hipertensão, diabetes e problemas de pele.
Estudos corroboram essas observações. Pesquisadores da Universidade Médica de Tianjin, na China, acompanharam 407 mil pessoas ao longo de 13 anos e constataram que aquelas que passavam mais tempo assistindo a notícias negativas apresentavam um risco 44% maior de desenvolver demência. Além disso, o risco de sofrer um derrame aumentava em 12%, e o de desenvolver Parkinson, em 28%.
O “doomscrolling” também afeta a saúde mental. De acordo com a CNN Brasil, esse hábito pode levar a sintomas como ansiedade, insônia, irritabilidade e dificuldade de concentração. O professor Jeffrey Hall, da Universidade do Kansas, explica que os algoritmos das redes sociais são projetados para manter a atenção do usuário, muitas vezes promovendo conteúdos negativos que geram maior engajamento.
Para mitigar os efeitos do consumo excessivo de notícias negativas, especialistas recomendam estratégias como estabelecer horários específicos para se informar, evitar o uso de dispositivos eletrônicos antes de dormir e buscar ativamente conteúdos positivos. A exposição a informações edificantes pode estimular a liberação de dopamina, neurotransmissor associado ao prazer e bem-estar, contribuindo para o equilíbrio emocional e fortalecimento do sistema imunológico.
Em um mundo cada vez mais conectado, é essencial adotar práticas conscientes no consumo de informações, priorizando a qualidade e o equilíbrio para preservar a saúde mental e física.