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Excesso de Peso Ultrapassa a Pressão Alta e Assume a Liderança dos Riscos à Saúde no Brasil

Banco de imagens/ Canva
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Levantamento do estudo Global Burden of Disease (GBD) revela avanço da obesidade no país, enquanto controle do tabagismo e da hipertensão reduz mortes por infarto e AVC.

O perfil de saúde da população brasileira passou por uma mudança histórica. O excesso de peso superou a pressão alta e assumiu o posto de principal fator de risco associado à perda de saúde e ao surgimento de doenças no Brasil. As conclusões fazem parte da nova análise da série Global Burden of Disease (GBD), referente a 2023, que acompanhou as transformações nos fatores de risco no país ao longo das últimas décadas.

Os dados indicam um cenário duplo para a saúde pública brasileira. Por um lado, o país obteve vitórias expressivas nas últimas décadas ao reduzir a mortalidade por eventos vasculares graves, como o infarto do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC). Esse progresso foi impulsionado principalmente pelas campanhas antitabagismo e pelo avanço no diagnóstico e controle da hipertensão arterial pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com a queda do impacto relativo do cigarro e da pressão alta, a hipertensão caiu para o segundo lugar na lista dos fatores de risco no Brasil.

Por outro lado, o país não conseguiu deter a escalada do Índice de Massa Corporal (IMC) elevado e da obesidade. O excesso de peso atua como um disparador para diversas outras condições crônicas. Especialistas destacam que entre 70% e 75% das pessoas que vivem com obesidade também desenvolvem hipertensão arterial, além de enfrentarem maiores chances de apresentar diabetes e alterações nos níveis de colesterol.

Como a obesidade e o acúmulo de gordura corporal são frequentemente silenciosos, o risco cardiovascular pode evoluir sem manifestação clara de sintomas até a ocorrência de um evento grave. A medi# Excesso de peso supera pressão alta e se torna o principal fator de risco à saúde dos brasileiros

Dados inéditos do estudo Carga Global de Doenças revelam que o índice de massa corporal elevado é a principal causa de perda de anos de vida saudável no país.

Uma mudança histórica e preocupante acendeu o alerta vermelho na saúde pública brasileira. Pela primeira vez na série histórica do estudo Carga Global de Doenças (GBD, na sigla em inglês), o excesso de peso — caracterizado pelo Índice de Massa Corporal (IMC) elevado — ultrapassou a hipertensão arterial (pressão alta) e se tornou o principal fator de risco para a saúde da população do Brasil.

O levantamento, coordenado pelo Instituto de Métricas e Avaliação de Saúde (IHME) da Universidade de Washington em parceria com o Ministério da Saúde e pesquisadores brasileiros, analisa o impacto dos fatores de risco na mortalidade e na perda de anos de vida saudável por incapacidade (métrica conhecida como DALYs).

A virada nos dados de saúde

Historicamente, a pressão alta figurava no topo do ranking dos maiores vilões da saúde do brasileiro. No entanto, o avanço contínuo do sobrepeso e da obesidade nas últimas décadas culminou nessa inversão de posições.

Segundo os analistas da pesquisa, o aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, o sedentarismo e o estilo de vida urbano são apontados como os grandes impulsionadores desse cenário. O excesso de peso atua como porta de entrada e gatilho para uma série de complicações crônicas, incluindo diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares (como infarto e AVC) e até diversos tipos de câncer.

O impacto no cotidiano e na saúde pública

Especialistas reforçam que o IMC elevado não traz repercussões apenas para a expectativa de vida, mas reduz significativamente a qualidade dos anos vividos. Complicações articulares, problemas respiratórios e metabólicos passam a acompanhar os indivíduos de forma cada vez mais precoce, afetando inclusive jovens e crianças.

Diante do diagnóstico, especialistas e entidades médicas enfatizam a urgência de políticas públicas voltadas para a prevenção. As recomendações passam pelo incentivo à alimentação balanceada com comida de verdade (priorizando in natura e minimamente processados), ampliação do acesso a espaços públicos para a prática de atividades físicas e medidas educativas sobre hábitos de vida saudáveis.