Imagens inéditas e mapeamento detalhado retratam batalhas históricas em Iron Bottom Sound
Entre os dias 2 e 23 de julho de 2025, o navio de pesquisa americano E/V Nautilus, operado pela Ocean Exploration Trust (OET) com apoio da NOAA e instituições da Austrália, Japão e Nova Zelândia, realizou uma missão científica sem precedentes em Iron Bottom Sound, região próxima à ilha de Guadalcanal, nas Ilhas Salomão (Pacífico Sul).
Utilizando robôs subaquáticos (ROVs), sonares de alta precisão e transmissões ao vivo, a equipe confirmou a localização de 13 navios afundados durante as sangrentas batalhas da Segunda Guerra Mundial na região, que ganhou esse nome devido à quantidade de embarcações e aeronaves submersas naquele território. Estima-se que cerca de 20 mil pessoas morreram e mais de 100 navios foram perdidos nos seis meses de confrontos entre os EUA e o Império do Japão em 1942.
Entre as embarcações localizadas estão destróieres e cruzadores famosos: USS Quincy, USS Astoria, USS Vincennes, USS Northampton, USS Preston, USS Laffey, USS DeHaven, além do destróier japonês Teruzuki, cujas imagens subaquáticas foram captadas pela primeira vez. Também foram registradas partes do USS New Orleans, cuja proa foi arrancada por um torpedo em 1942, mas que sobreviveu à batalha e retornou para os EUA para reparos.
Em especial, a descoberta da proa da USS New Orleans, localizada a cerca de 675 metros de profundidade, traz um registro inédito da coragem da tripulação: mais de 180 marinheiros morreram quando uma explosão destruiu o setor dianteiro do navio durante a Batalha de Tassafaronga em novembro de 1942.
A missão registrou quatro naufrágios pela primeira vez, com imagens detalhadas dos cascos corroídos, canhões e estruturas preservadas em condições adversas de temperatura e pressão — um ambiente escuro e frio que ajudou a conservar esses vestígios por mais de 80 anos.
Iron Bottom Sound se configura como um vasto memorial subaquático, onde cada naufrágio constitui um monumento silencioso à memória dos que pereceram. A expedição não só amplia o conhecimento sobre a história naval da Segunda Guerra como também busca proteger e valorizar o patrimônio cultural submerso.
Além disso, a documentação e o mapeamento contribuirão com estudiosos e famílias de veteranos, resgatando histórias individuais e coletivas daqueles que lutaram e morreram em combates no Pacífico.