Comemoração no Centro Histórico e reunião de imigrantes na UFBA marcam a vitória brasileira por 3 a 0, em uma noite onde o placar ficou em segundo plano diante da amizade entre os povos
A noite de sexta-feira, 19 de junho de 2026, entrou para a história do futebol e da cultura em Salvador. O confronto entre as seleções do Brasil e do Haiti pela fase de grupos da Copa do Mundo movimentou a capital baiana com muita festa, mas também com uma forte dose de emoção e de identidades cruzadas. Enquanto baianos e turistas lotavam as ruas do Centro Histórico para comemorar o resultado positivo da Seleção Brasileira, a comunidade de imigrantes caribenhos se reunia na Universidade Federal da Bahia (UFBA) para viver um momento único.
Dentro de campo, o Brasil confirmou o favoritismo ao vencer a partida por 3 a 0 na Filadélfia, com uma atuação de destaque do atacante Matheus Cunha, que balançou as redes duas vezes, e de Vinicius Júnior, que completou o placar. Com o resultado, o time canarinho garantiu sua classificação antecipada para as oitavas de final e assumiu a liderança do Grupo C do Mundial.
Apesar da derrota esportiva, o clima no auditório da UFBA, onde os haitianos assistiram ao jogo, era de pura exaltação. Para um país que passou 52 anos longe de uma Copa do Mundo e cujos jogadores enfrentam a dura realidade de disputar as eliminatórias fora de seu território devido à crise de segurança interna, estar no maior palco do futebol mundial já era o maior título possível. A relação afetuosa entre os dois povos ficou evidente na postura dos torcedores: cada ataque do Haiti gerava uma imensa vibração e, surpreendentemente, os gols brasileiros também eram celebrados. Como a maioria dos haitianos cresceu acompanhando e torcendo pelo futebol do Brasil, ver as duas nações jogando juntas foi encarado como uma grande confraternização entre irmãos.
A própria vice-cônsul do Haiti em Salvador, Lorah Stecy Delatour, que acompanhou o evento, destacou a forte conexão com a cidade, afirmando que a energia e a recepção da capital baiana a fazem se sentir em casa. Entre os imigrantes presentes, o sentimento geral era de gratidão e carinho duplo, resumido pela frase de muitos que assistiam ao jogo: o coração bate forte pelo Haiti, mas, contra qualquer outro adversário na Copa, a torcida continuará sendo totalmente brasileira.