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Fiocruz se prepara para iniciar testes da primeira vacina brasileira com tecnologia de RNA mensageiro

crédito: André Rocha/Ministério da Saúde
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Aprovada pela Anvisa, a pesquisa inédita com imunizante nacional de mRNA marca um avanço histórico para a ciência brasileira e promete reforçar a proteção contra o coronavírus.

A ciência brasileira acaba de alcançar um marco histórico para a saúde pública. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os testes clínicos da primeira vacina desenvolvida inteiramente no Brasil com a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA). Previstos para começar no primeiro trimestre de 2027, os ensaios em humanos vão avaliar o uso do imunizante como dose de reforço contra a Covid-19.

A conquista é fruto de um esforço nacional para garantir a soberania tecnológica e reduzir a dependência do país de insumos e produtos importados durante crises sanitárias. Além do desenvolvimento da molécula de RNA, os cientistas de Bio-Manguinhos/Fiocruz criaram uma inovação própria: um envoltório de lipídios — uma camada protetora de gordura — feito com características únicas desenvolvidas no Brasil para transportar o material genético até as células do organismo com eficiência.

O projeto faz parte de uma estratégia de fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), coordenada pelo Ministério da Saúde em parceria com outras instituições de referência, como o Instituto Butantan e o Centro de Competência em Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que, enquanto outros países reduziram os investimentos na área, o Brasil avança com três plataformas de RNA mensageiro em preparação para futuras emergências de saúde.

A grande vantagem da plataforma de mRNA é a sua versatilidade. Uma vez dominada a base tecnológica, a estrutura pode ser adaptada para combater diversos outros alvos da medicina, que vão desde novas variantes de vírus até vacinas terapêuticas para o tratamento do câncer e de doenças tropicais. O avanço dos ensaios coloca o Brasil no seleto grupo de nações capazes de dominar o ciclo completo de produção desta tecnologia revolucionária.