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Fiocruz testa remédio de HIV para interromper transmissão vertical do vírus que pode causar leucemia

Fotos: Fotorech/Pixabay
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Estudo pioneiro investiga o uso do dolutegravir durante a gravidez para evitar infecção por HTLV-1 em bebês

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Bahia), em parceria com o Ministério da Saúde, iniciou um estudo inédito no Brasil que avalia se o medicamento dolutegravir — já usado contra o HIV — pode prevenir a transmissão vertical do HTLV-1 (vírus linfotrópico de células T humanas tipo 1), associado à leucemia e outras doenças graves.

O que é o HTLV-1 e por que é preocupante

O HTLV-1 ataca o sistema imunológico e pode levar a doenças como leucemia, mielopatia e aumentar a vulnerabilidade do organismo a outras infecções. A transmissão pode ocorrer durante relações sexuais, da mãe para o filho principalmente na amamentação, mas também no parto ou gestação — mesmo quando recomenda-se interromper a amamentação.

Como funciona o estudo

O projeto PrevINIr HTLV-TV vai acompanhar 516 gestantes infectadas pelo HTLV-1 e seus bebês até os 18 meses de vida.

  • Grupo intervenção: gestantes receberão dolutegravir a partir da 24.ª semana de gravidez até o parto; os recém-nascidos usarão o medicamento por 28 dias.
  • Grupo controle: segue apenas a orientação padrão de não amamentar.

Por que esse estudo é um marco

Se os resultados mostrarem eficácia, será a primeira intervenção farmacológica do mundo capaz de prevenir a transmissão vertical do HTLV-1. Com isso, o Brasil daria um passo importante para cumprir a meta da Organização Pan-Americana da Saúde de eliminar essa transmissão até 2030.

Impactos potenciais

O uso de dolutegravir, aprovado e com perfil de segurança conhecido no combate ao HIV, amplifica suas aplicações médicas. A prevenção da transmissão do HTLV-1 poderia reduzir dramaticamente os casos de leucemia e outras doenças associadas ao vírus, além de proteger a saúde de mães e bebês em contextos públicos e privados.

O que vem pela frente

Resultados confiáveis deste estudo podem orientar novas diretrizes clínicas e protocolos para o pré-natal de gestantes HTLV-1 positivas no Brasil — e eventualmente no mundo. O avanço reforça o papel da Fiocruz em pesquisa inovadora voltada para saúde pública e prevenção.