Falsos pedidos de doações circularam nas redes sociais após tragédia, enquanto restauração do patrimônio histórico é aguardada
O frei Lorrane Clementino, um dos responsáveis pela administração da Igreja de São Francisco de Assis, no Pelourinho, fez um alerta importante nesta sexta-feira (7). O religioso denunciou que um perfil nas redes sociais, que utiliza o nome da irmandade responsável pela Igreja, está se aproveitando da tragédia que atingiu o templo para captar doações fraudulentas. Segundo o frei, o perfil falso esperança mensagens solicitando contribuições financeiras, com um endereço de Pix, alegando que o dinheiro seria destinado à reforma da Igreja de Ouro, parte do complexo da Igreja de São Francisco.
“É uma atitude de total falta de humanidade se aproveitar de uma tragédia dessa magnitude”, lamentou o frei Lorrane. Ele reforçou que não há qualquer solicitação oficial de arrecadação de fundos por parte da igreja ou da irmandade e orientou a justiça a não cair nesse golpe. A ação fraudulenta ocorreu logo após o desabamento de parte do teto central da igreja, que, além de ter causado danos significativos ao patrimônio histórico, investigado em uma vítima fatal e deixou cinco pessoas feridas.
A Igreja de São Francisco de Assis, um dos maiores ícones do patrimônio histórico e cultural de Salvador e da Bahia, tem atraído atenção nacional e internacional desde o ocorrido. O teto central, feito de madeira entalhada e folheada a ouro, desabou de forma abrupta, gerando comoção e preocupações quanto à segurança da estrutura.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), vinculado ao Ministério da Cultura, tomou medidas imediatas para preservar e restaurar o monumento. A autarquia informou que já está em processo de contratação de obras emergenciais para estabilizar a estrutura e garantir a segurança do local e dos trabalhadores. No entanto, o Iphan ainda não tem uma data definida para o início dos reparos, pois o trabalho depende da conclusão das perícias, retirada dos escombros e verificação da segurança para o início das intervenções.
A restauração da igreja envolverá o acompanhamento, estabilização e segurança do monumento. Além disso, o Iphan também está realizando uma segunda fase de procedimentos, incluindo o diagnóstico, triagem e catalogação de bens artísticos danificados. O presidente do Iphan, Leandro Grass, explicou que a igreja está sendo acompanhada pelo órgão desde que foi tombada, em 1938. “Estamos apurando todos os documentos e registros históricos dessa igreja, que têm grande importância para a cultura e história do Brasil”, afirmou Grass.
Embora os trabalhos de restauração ainda não tenham sido iniciados, o Iphan enfatizou que a segurança do local e a preservação das peças artísticas danificadas são prioridade. Não há previsão de quando a igreja será reaberta para visitação.