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Google envia chips de inteligência artificial ao espaço pela primeira vez

Divulgação/IBM
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Projeto Suncatcher testa unidades de processamento em satélite e avalia os desafios para levar infraestrutura de inteligência artificial à órbita da Terra

O Google deu um passo experimental para levar a inteligência artificial ao espaço. Na quinta-feira (1º), a empresa enviou pela primeira vez chips próprios de IA para a órbita terrestre, em uma missão realizada a bordo do foguete Falcon 9, da SpaceX.

A iniciativa faz parte do Projeto Suncatcher, anunciado pelo Google em novembro de 2025. A proposta é estudar a possibilidade de, no futuro, criar uma infraestrutura de aprendizado de máquina no espaço. Por enquanto, o projeto ainda está em fase de testes e não representa a operação de um data center orbital.

O lançamento ocorreu durante a missão Transporter-18, realizada pela SpaceX em parceria com a Planet Labs. O foguete decolou da Base da Força Espacial de Vandenberg, na Califórnia, levando 130 cargas úteis, entre elas pequenos satélites. Uma dessas cargas pertence ao Google.

Chips desenvolvidos pelo Google

Os equipamentos enviados ao espaço são as Unidades de Processamento Tensorial, conhecidas como TPUs. Desenvolvidos pelo próprio Google, esses chips são utilizados para acelerar tarefas de inteligência artificial e aprendizado de máquina.

Segundo a empresa, uma das razões para estudar a computação em órbita está na disponibilidade de energia solar. Em órbita baixa da Terra, os satélites podem ter acesso à luz solar durante períodos mais longos e, de acordo com o Google, gerar até oito vezes mais energia solar do que na superfície terrestre.

O objetivo do primeiro teste é observar como os chips se comportam diante das condições encontradas no espaço. Os equipamentos precisam lidar com fatores como o estresse físico provocado pelo lançamento, a radiação e as variações de temperatura.

Antes do lançamento, o Google já havia realizado testes no Laboratório Nuclear Crocker, da Universidade da Califórnia em Davis, com simulações de eventos solares e raios cósmicos. A empresa, porém, destaca que algumas condições só podem ser avaliadas diretamente no espaço.

Próximos testes

O Google planeja lançar mais dois satélites em 2027. Nessa etapa, a empresa pretende testar também a comunicação entre os equipamentos por meio de conexões a laser de alta largura de banda.

A expectativa é que, no futuro, cada satélite possa carregar dezenas de chips TPU e que diferentes grupos de satélites sejam interligados para formar uma infraestrutura de computação em órbita.

A ideia de colocar data centers no espaço não é exclusiva do Google. Elon Musk, fundador da SpaceX, já defendeu a utilização de satélites Starlink como plataformas para computação e armazenamento de dados. A SpaceX também apresentou neste ano um projeto conceitual de data center orbital chamado AI1. Jeff Bezos, fundador da Amazon e da empresa aeroespacial Blue Origin, também já manifestou apoio à possibilidade.

Apesar do interesse crescente, especialistas apontam que ainda existem obstáculos técnicos e comerciais. Entre eles estão o custo dos lançamentos, a necessidade de dissipar o calor no vácuo do espaço, os efeitos da radiação e a própria viabilidade econômica de manter centros de processamento em órbita em comparação com os data centers instalados na Terra.

Também existem questões relacionadas à regulamentação e ao lixo espacial. Assim, o Projeto Suncatcher representa, neste momento, uma etapa de pesquisa para avaliar se a computação de inteligência artificial no espaço poderá se tornar uma realidade em escala no futuro.