Paralisação em plena alta temporada expõe fragilidades no sistema e provoca caos para turistas e europeus
A paralisação de controladores de tráfego aéreo na França, realizada ao longo das quinta (3) e sexta‑feira (4) – primeiro dia da temporada de verão – causou o cancelamento de mais de 1.500 voos, impactando quase 300 mil passageiros em aeroportos nacionais e em rotas europeias.
Segundo a agência nacional DGAC, companhia aérea fossem cancelados 40% dos voos programados nos três principais aeroportos parisienses nesta sexta‑feira. Já no restante da França, sobretudo no sul, metade dos voos foi suspensa. Nesta sexta, o número de voos cancelados com partidas ou chegadas em aeroportos franceses chegou a 1.125, contra 933 cancelamentos na quinta.
A paralisação deixou milhares de viajantes presos nos aeroportos. Mariano Mignola, turista italiano, relatou que voaria com dois filhos de Paris a Berlim, mas viu o voo cancelado duas vezes, sendo forçado a viajar de trem com um custo adicional de 100 euros (aproximadamente R$ 637).
O grupo Airlines for Europe estimou que 1.500 voos foram suspensos ao longo dos dois dias, afetando quase 300 mil pessoas e desencadeando atrasos em série nas redes aéreas continentais. A companhia de baixo custo Ryanair, por exemplo, precisou cancelar 170 voos, prejudicando mais de 30 mil passageiros e alertando que rotas de sobrevoo também sofreram efeitos .
O movimento foi convocado por dois sindicatos minoritários que denunciam escassez de pessoal, equipamentos obsoletos e condições de trabalho inadequadas. O ministro dos Transportes, Philippe Tabarot, criticou a paralisação como “inaceitável” em plena temporada de férias. Já Michael O’Leary, CEO da Ryanair, classificou o ato como “mais uma greve recreativa dos controladores franceses”.
Além dos passageiros diretos, a instabilidade afetou o fluxo aéreo europeu, com atrasos em cascata que atingiram diversos aeroportos internacionais. A DGAC já havia solicitado uma redução preventiva de 25% a 50% nos voos, especialmente nas rotas ligadas a Paris, Nice, Lyon e Marseille, em virtude da ameaça de paralisação .
Com o término da greve prevista para a noite de sexta-feira, eventos futuros como festividades de verão e viagens de turistas seguem com alerta de caos nos aeroportos. Especialistas alertam que os turistas devem revisar itinerários e considerar alternativas como viagens de trem ou mudanças nas datas. O governo francês promete rever o sistema de aviação, modernizar equipamentos e retomar diálogo com os sindicatos para prevenir novas crises.