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História e Fé: Margareth Menezes oficializa título de Patrimônio Cultural ao Terreiro Ilê Axé Icimimó em Cachoeira

Foto: Reprodução Gov (Tracisio Boquady/ MinC)
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Em visita ao Recôncavo Baiano, Ministra da Cultura cumpre agenda histórica de preservação e anuncia investimentos para o patrimônio arquitetônico da região

A cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, viveu um dia de profunda emoção e reparação histórica nesta última sexta-feira. A Ministra da Cultura, Margareth Menezes, esteve na cidade para uma série de compromissos que reforçam a importância da Bahia na construção da identidade brasileira. O ponto alto da agenda foi a entrega oficial do título de Patrimônio Cultural do Brasil ao Terreiro Ilê Axé Icimimó, um dos templos de matriz africana mais respeitados e antigos do país.

Fundado há mais de um século, o Icimimó é um símbolo de resistência e preservação das tradições iorubás. O reconhecimento pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) não é apenas um título no papel; ele garante que o Estado brasileiro tem agora o dever de proteger a estrutura, a história e os rituais que ali resistem. Durante a cerimônia, Margareth, que tem raízes profundas na cultura baiana, ressaltou que valorizar os terreiros é valorizar a base da nossa civilização.

Preservação além dos terreiros Mas a agenda na “Cidade Heroica” não parou por aí. A comitiva do Ministério da Cultura também voltou os olhos para o patrimônio arquitetônico de Cachoeira, que sofre com o desgaste do tempo. A ministra visitou as obras de restauração da Igreja de Nossa Senhora dos Remédios, um dos cartões-postais da cidade. A igreja, que possui um estilo arquitetônico único, está passando por intervenções estruturais para garantir que continue sendo um ponto de fé e turismo para as futuras gerações.

Um novo olhar para o Recôncavo Especialistas e historiadores presentes no evento destacaram que essa movimentação do Governo Federal em 2026 sinaliza uma descentralização dos investimentos em cultura. Cachoeira, que já é tombada pelo Iphan em sua totalidade, possui uma das maiores concentrações de bens culturais por metro quadrado no Brasil.

Além do reconhecimento do Terreiro e da reforma da igreja, a ministra discutiu políticas de fomento para os artesãos locais e para as irmandades religiosas, como a centenária Irmandade da Boa Morte. O objetivo é criar um corredor cultural que ligue a fé, o turismo e a economia criativa, gerando renda para a população local sem perder a essência da tradição.

Esta visita marca um momento de renovação para o Recôncavo. Com o reconhecimento do Ilê Axé Icimimó, o Brasil dá mais um passo importante no combate à intolerância religiosa e no fortalecimento das políticas de proteção aos povos de terreiro, garantindo que o sagrado africano ocupe o lugar de honra que merece na história nacional.