Família do cineasta baiano alega não ter sido consultada sobre o uso da obra “Deus e o Diabo na Terra do Sol” em camisa lançada pelo clube e pela Puma.
O que era para ser uma celebração da cultura baiana acabou se tornando o centro de um imbróglio jurídico. O Esporte Clube Bahia, um dos times mais tradicionais do Nordeste, pode enfrentar uma batalha na Justiça por causa do seu terceiro uniforme. A peça, que caiu nas graças da torcida e se tornou um verdadeiro sucesso de vendas desde o seu lançamento, agora está sob a mira dos herdeiros do lendário cineasta Glauber Rocha.
Lançada em agosto de 2025, a camisa faz parte da coleção “Bahia de Todas as Artes”, uma campanha que busca unir a paixão pelo futebol com a riqueza das manifestações artísticas da região. O design específico deste uniforme foi inspirado no clássico absoluto do Cinema Novo, “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, trazendo estampas de sóis amarelos que remetem à estética icônica do filme.
O ponto da discórdia Segundo informações divulgadas pelo colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, a família de Glauber Rocha estuda acionar judicialmente tanto o Esporte Clube Bahia quanto a Puma, fornecedora de material esportivo do clube. O motivo principal da insatisfação é a falta de autorização prévia: os familiares afirmam que não foram consultados e que nenhum acordo foi firmado para o uso comercial da obra e do nome do cineasta na vestimenta.
Para os herdeiros, a homenagem, embora reconheça a importância de Glauber, ignora os direitos de imagem e de propriedade intelectual que cercam a obra do diretor. A ausência desse diálogo antes da produção e venda das camisas é o que sustenta a possível ação judicial.
Sucesso comercial e cultural Apesar da polêmica nos bastidores, nas ruas o resultado foi bem diferente. A camisa se tornou rapidamente uma das mais procuradas nas lojas, justamente por essa conexão direta com o cinema e por valorizar a identidade nordestina. A proposta do Bahia era estabelecer uma ponte entre o campo de jogo e as artes, reforçando o orgulho de ser baiano. Agora, resta saber se as partes chegarão a um acordo amigável ou se o “sol” do uniforme brilhará apenas diante de um juiz.