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Influenciadora baiana é presa em operação contra tráfico interestadual de drogas

Reprodução/ redes sociais
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Com mandados na Bahia e em São Paulo, influenciadora digital é apontada como articuladora de esquema que abastecia seguidores com “kits” de drogas

Na quinta-feira, 23 de outubro de 2025, a influenciadora digital Melissa Said foi presa em Salvador (BA) pela Polícia Civil da Bahia, após investigação da operação denominada “Operação Erva Afetiva”. Conforme apurado, ela era considerada articuladora de um grupo criminoso que organizava o transporte e a venda de drogas entre os estados da Bahia e São Paulo.

O que as investigações revelaram

A operação cumpriu, até o momento, dez mandados de busca e apreensão — cinco em Salvador e cinco em São Paulo — além de cinco mandados de prisão. Entre os presos, Melissa foi capturada em um imóvel no bairro de Itapuã, em Salvador, onde se escondia.
No curso das investigações, que começaram em 2024, a polícia descobriu que a influenciadora promovia nas redes sociais a cultura da maconha “skunk” e do haxixe, vendendo para seguidores de classe média e alta, e ainda orientando o consumo, transporte e formas de despistar a polícia.
Durante a prisão, foram apreendidos materiais como balanças de precisão, embalagens plásticas, cerca de 1,4 kg de maconha do tipo “skank”, 270 gramas de haxixe, cartões, celulares e veículos utilizados no esquema.

Perfil e atuação da suspeita

Melissa acumula mais de 300 mil seguidores e se identificava nas redes como “ervoafetiva”. Ela teria, segundo a polícia, utilizado essa identidade para distribuir “kits” com maconha nas ruas como forma de autopromoção, além de estabelecer fornecedores em São Paulo e na Bahia.
A investigação aponta que a influenciadora não apenas promovia o consumo, mas também estava diretamente envolvida na logística: compra, armazenamento e distribuição. O delegado responsável afirmou que ela era a “articuladora do grupo”.

Implicações e repercussão

A presença de influenciadoras digitais envolvidas em esquemas de tráfico evidencia uma nova dinâmica: o uso das redes sociais para divulgação, marketing e contato com consumidores.
A operação mostra uma articulação interestadual de tráfico, o que reforça a gravidade criminal do caso, indo além de um consumo local.
Para o público e para as plataformas, esse tipo de caso reforça o desafio de monitoramento de ações que partem dos influenciadores: o conteúdo idealizado, glamurizado ou “normalizado” se transforma em crime quando há efetiva movimentação.
A prisão de Melissa gera debates sobre responsabilidade digital, sobre como influenciadores devem responder por comportamentos que extrapolam a estética ou o lifestyle, e sobre a linha tênue entre promoção e crime.

O que ainda está por esclarecer

Ainda não se sabe quando ocorrerá a audiência de custódia e quais medidas serão impostas à suspeita. Quanto ao papel de possíveis cúmplices ou fornecedores, a investigação apontou nomes em São Paulo e na Bahia, mas o processo segue em andamento.
Também há expectativa sobre a reação das plataformas digitais — se haverá banimento ou restrições aos conteúdos de Melissa ou de outros influenciadores com perfis semelhantes.

Considerações finais

O caso reforça que o universo das redes sociais, além de ser um espaço de entretenimento, pode se tornar vetor de práticas ilícitas — especialmente quando o influenciador se transforma em peça ativa de uma organização criminosa.
A prisão de Melissa Said evidencia uma mudança de cenário: não se trata apenas de “vida de influenciador”, mas de uma atuação investigada pela polícia. Cabe à sociedade acompanhar como se dará a responsabilização e como as plataformas e os próprios usuários lidarão com essa interseção entre exposição digital e crime organizado.