16 confirmações já foram registradas; governo federal toma medidas de urgência para conter o risco à saúde
O Brasil vive uma crise alarmante relacionada ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol, substância altamente tóxica. Segundo dados mais recentes do Ministério da Saúde, já há 209 casos suspeitos em investigação em todo o país, dos quais 16 foram confirmados.
A maior parte das notificações concentra-se em São Paulo, com 14 casos confirmados e 178 suspeitos. Outros estados com registros incluem Paraná, Pernambuco, Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul. Dos 15 óbitos notificados, apenas 2 foram confirmados até o momento — ambos em São Paulo — enquanto os demais seguem sob investigação.
Por que o metanol é tão perigoso?
O metanol, também chamado de álcool metílico, não é destinado ao consumo humano. Ele é usado principalmente na indústria (na produção de solventes, tintas, combustível, entre outros). Quando ingerido, o corpo o converte em compostos como ácido fórmico e formaldeído, que causam danos graves ao sistema nervoso central e à visão, podendo provocar cegueira ou morte. Os principais sintomas aparecem geralmente entre 12 a 24 horas após a ingestão e incluem dor abdominal, confusão mental, náuseas, vômitos e alterações visuais.
No Brasil, há legislação que fixa um limite máximo de metanol em bebidas alcoólicas: até 20 mg por 100 mL de álcool anidro. Bebidas clandestinas muitas vezes ultrapassam esse limite, o que as torna ainda mais perigosas.
Reação e medidas governamentais
Diante da gravidade da situação, o governo federal montou uma “Sala de Situação” para monitorar os casos no país e coordenar ações emergenciais entre ministérios, secretarias estaduais, Anvisa e outros órgãos. Entre as medidas definidas:
- Estocagem de 4,3 mil ampolas de etanol farmacêutico em hospitais universitários (uso como antídoto).
- Compra emergencial de fomepizol, medicamento específico para intoxicação por metanol (ainda pouco disponível no Brasil).
- Fornecimento de etanol e antídotos para estados que requisitarem ajuda.
- Orientações a profissionais de saúde para notificação imediata dos casos suspeitos, mesmo sem confirmação laboratorial.
- Fiscalização de estabelecimentos suspeitos e fechamento de locais que comercializem bebidas sem procedência confiável.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que, embora em anos anteriores o país registrasse cerca de 20 casos de intoxicação por metanol por ano, a situação atual é “anormal” e pede atenção reforçada.
O que fazer para se proteger?
- Evite bebidas alcoólicas de origem duvidosa ou sem nota fiscal.
- Evite aceitar bebidas “desconhecidas” em festas ou ambientes informais.
- Se sentir sintomas como visão turva, mal-estar persistente ou vômitos após consumo alcoólico, procure atendimento médico rapidamente.
- Profissionais de saúde devem entrar em contato com CIATox ou centrais locais de toxicologia para investigação imediata.
Este surto reforça um risco que já existia e que, quando não monitorado, pode se agravar muito rapidamente. A vigilância sanitária, o sistema de saúde e a população precisam estar atentos.