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Jumento Brasileiro Pode Desaparecer Até 2030, Impacto da Exportação para a China

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Pesquisador da UFERSA revela dados alarmantes sobre a queda populacional e a concentração de abates na Bahia, impulsionados pela demanda asiática por “ejiao”.

Um cenário desolador se desenha para o jumento brasileiro: a espécie pode estar à beira da extinção no Brasil em um futuro muito próximo, possivelmente até 2030. O alerta vem do pesquisador da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA), Matheus Paranhos, que estuda a fundo a situação desses animais. A principal causa para essa diminuição drástica da população é o aumento exponencial dos abates para exportação, especialmente para a China, um mercado que busca intensamente a pele do animal para a produção do “ejiao”, uma substância utilizada na medicina tradicional chinesa.

A Bahia, estado conhecido por sua rica cultura e paisagens diversas, tornou-se, ironicamente, o epicentro desse declínio. Segundo Paranhos, a maior parte dos abates de jumentos no Brasil está concentrada no estado nordestino, impulsionada por frigoríficos que atendem à demanda chinesa. Essa realidade contrasta com a imagem tradicional do jumento, um animal historicamente associado ao trabalho no campo e à cultura nordestina, mas que agora enfrenta uma ameaça sem precedentes à sua existência.

A Demanda Chinesa e o “Ejiao”: Uma Ameaça Global

O principal motor por trás do abate massivo de jumentos é a crescente demanda chinesa por ejiao (阿胶). Essa gelatina, feita a partir da pele de jumento após um processo de fervura, é um ingrediente milenar na medicina tradicional chinesa, utilizada para diversos fins, como melhorar a circulação sanguínea, tratar insônia, anemia e até mesmo como um suposto rejuvenescedor. A popularidade do ejiao disparou na China, impulsionando um mercado bilionário e, consequentemente, a busca desenfreada por peles de jumento em escala global.

Essa busca não se restringe ao Brasil. Países da África, Ásia e América Latina também têm suas populações de jumentos ameaçadas por essa mesma demanda. Relatórios de organizações de bem-estar animal, como a The Donkey Sanctuary, apontam para a crueldade envolvida na captura e no transporte desses animais, muitas vezes submetidos a condições desumanas antes do abate.

O Declínio Alarmante da População de Jumentos no Brasil

Dados apresentados por Matheus Paranhos e outras entidades mostram uma queda vertiginosa na população de jumentos no Brasil. Estima-se que, em pouco mais de uma década, o número de jumentos tenha caído de milhões para centenas de milhares, e a tendência de declínio acelerado aponta para a possível extinção em menos de seis anos.

A Bahia, por sua localização estratégica e pela presença de frigoríficos especializados, tornou-se o principal polo de abate. Essa concentração gera preocupações não apenas com a sustentabilidade da espécie, mas também com o impacto ambiental e social nas regiões envolvidas. A retirada massiva desses animais pode afetar ecossistemas locais, além de impactar comunidades rurais que dependem dos jumentos para transporte e trabalho agrícola.

Medidas de Proteção e Desafios Futuros

Diante do cenário alarmante, diversas organizações de proteção animal e pesquisadores têm se mobilizado para alertar as autoridades e a população sobre o risco de extinção do jumento. No Brasil, já existem iniciativas e debates sobre a necessidade de regulamentação e fiscalização mais rigorosas dos abates, além da implementação de políticas públicas para a conservação da espécie.

A questão do jumento brasileiro vai além da proteção animal; ela toca em aspectos culturais, econômicos e ambientais. O jumento, ou “jegue” como é carinhosamente chamado no Nordeste, faz parte do imaginário popular e da história de muitas famílias. Sua possível extinção representa a perda de um símbolo e de um componente vital para a biodiversidade e o equilíbrio de certas regiões.

O desafio agora é encontrar um equilíbrio entre a demanda do mercado internacional e a preservação da espécie. É urgente que medidas eficazes sejam tomadas, tanto a nível governamental quanto por meio de conscientização e pressão da sociedade civil, para evitar que o jumento brasileiro se torne apenas uma lembrança em nossos livros de história.